Instalação “Chairs”, da artista Cristina Rodrigues, foi inaugurada no Parque Urbano de Paços de Ferreira com a presença do Secretário de Estado da Cultura. Obra celebra os 25 anos da Gespaços S.A. sem custos financeiros para o município.
O Parque Urbano de Paços de Ferreira acolhe, a partir desta terça-feira, uma das intervenções artísticas mais arrojadas e simbólicas dedicadas à identidade industrial do concelho. A instalação Chairs, da autoria da reconhecida artista plástica Cristina Rodrigues, reúne 30 esculturas tridimensionais em ferro metalizado e lacado a vermelho vivo, que pretendem homenagear a tradição do mobiliário e a memória coletiva da reconhecida “Capital do Móvel”.
Inaugurada no âmbito das comemorações do 25.º aniversário da empresa municipal Gespaços S.A., a mostra resulta de uma parceria com a Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Curiosamente, para prestar tributo à peça de mobiliário mais produzida na história económica e industrial local — a cadeira —, Cristina Rodrigues optou por uma abordagem conceptual: destacar a sua ausência.
Com cerca de dois metros de altura cada, as 30 esculturas retratam corpos humanos sentados em variadas posições anatómicas, mas aparentemente sem qualquer estrutura de apoio por baixo. A ausência do objeto físico transforma a cadeira num fantasma simbólico, convidando o observador a preencher o espaço vazio com a sua própria imaginação e reflexão.
“Em vez de representar o mobiliário, a obra destaca a sua ausência, permitindo ao observador refletir sobre a presença simbólica deste objeto na experiência humana e na identidade local”, referiu Cristina Rodrigues, artista plástica.
Um retrato emotivo e sem custos municipais
Paulo Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, recordou o caminho do projeto, concretizado após candidatura da Gespaços, sem custos financeiros para o município, agora eterniza na cidade o trabalho de Cristina Rodrigues, para além de “dar uma vida extraordinária ao parque”, com peças associadas “àquilo que é a nossa imagem de marca, a nossa fantástica Capital do Móvel”.
Na cerimónia, o autarca anunciou que esta parceria com a artista vai continuar. “Vamos continuar a trabalhar para replicar outras obras de arte em mais espaços do nosso concelho, porque a arte e a cultura fazem parte do desenvolvimento de qualquer território”, referiu, apontando o momento como “representativo” da essência do concelho”. “Nunca vi um retrato tão bonito e emotivo da nossa Capital do Móvel”, assegurou.
Estado elogia descentralização cultural
A cerimónia contou com a presença de Alberto Santos, Secretário de Estado da Cultura, recordou a presença quotidiana da cadeira na vida das pessoas, que a torna quase invisível. “Mas Cristina Rodrigues devolve-a hoje ao nosso olhar, sem a vermos, apenas através daquilo que é a nossa imaginação”, transformando uma “mera utilidade diária”, numa presença com “um valor simbólico e grande significado”, encontrando em Paços de Ferreira “um lugar que lhe acrescenta um sentido ainda mais adequado, onde a cadeira está ligada à vida quotidiana, ao desenho, ao trabalho em principalmente ao conhecimento transmitido entre várias gerações”.
O governante deixou ainda uma palavra de apreço à Gespaços, pelo seu quarto de século de atividade e pelo trabalho desenvolvido. “Hoje, é uma parte muito importante da relação entre o município e a comunidade”, salientou.
Destacou ainda a preocupação da artista em associar as suas obras à história dos territórios, como acontece com a “Chairs. “Aproxima-nos de cada lugar com uma preocupação de compreender a sua história e trabalhar a partir dela”, referiu, destacando a pertinência da instalação na Capital do Móvel, cuja marca não é só uma designação, mas “reconhece a concentração de empresas, o domínio técnico, a criatividade e a persistência de gerações que fizeram do mobiliário uma das imagens mais fortes de Paços de Ferreira”.
Por fim, Alberto Santos, referiu ainda o papel dos municípios na promoção da Arte e da Cultura. “Grande parte da vida cultural portuguesa acontece por iniciativa municipal e depende de escolhas autárquicas, que têm uma influência direta na vida da nossa Cultura”, frisou. E, defendeu que é ao Estado que “compete reconhecer esse trabalho e criar condições para que tenha continuidade, porque a política cultural ganha consistência sempre que articula a responsabilidade nacional com o conhecimento e capacidade de iniciativa dos municípios. E é nessa cooperação que os projetos encontram escala, estabilidade e proximidade”, concluiu, certo de que essa articulação permite construir “o património coletivo”.






