Penafiel volta a assumir-se como capital da literatura entre os dias 20 e 25 de outubro, com a realização da 19.ª edição do Escritaria. O festival literário terá como homenageado o escritor timorense Luís Cardoso e apresenta uma programação multidisciplinar que reúne escritores, músicos, investigadores, artistas e figuras da vida pública, num programa que cruza literatura, música, teatro, cinema, artes visuais e debate.
O Ponto C – Cultura e Criatividade será o principal palco do evento, que se estenderá também a escolas, espaços públicos e outros equipamentos culturais do concelho. Ao longo de seis dias, o Escritaria contará com a participação de nomes como Ondjaki, D. Américo Aguiar, Adelino Gomes, Ana Gomes, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Ana Sousa Dias, Dulce Pontes, Sérgio Godinho, João Gil, Mona Miari e Shahd Wadi. A memória, a identidade, o exílio, a liberdade e a resistência são alguns dos temas centrais desta edição, que estabelece pontes entre a realidade de Timor-Leste e outras experiências culturais e políticas.
A programação arranca no dia 20 de outubro com a apresentação da edição evocativa do Escritaria 2025, dedicada a Maria do Rosário Pedreira, seguida da performance Desver, de Joana Craveiro e do Teatro do Vestido, inspirada nas memórias de resistência da Palestina.
Entre os vários momentos de destaque contam-se a inauguração das exposições ABUT LA HARE – Raízes Invisíveis, de Catarino Bere, e TIMOR 1964-1966 | Lugares do Sol Nascente, baseada no espólio fotográfico e videográfico do pintor Manuel Casal Aguiar, bem como a estreia da peça Alinhamentos, de Zia Soares.
O cinema também terá lugar de destaque com a exibição do documentário O Voo do Crocodilo – O Timor de Ruy Cinatti, de Fernando Vendrell, seguida de debate com o realizador, Lúcio Sousa e Mário Augusto.
O festival promove ainda várias mesas-redondas dedicadas à história, à política, à literatura e aos desafios contemporâneos ligados a Timor-Leste. Entre os participantes estarão D. Américo Aguiar, Pedro Bacelar de Vasconcelos, Adelino Gomes, Ana Gomes, Daniel Braga, Mona Miari, Shahd Wadi, Ana da Cunha, Isabel Lucas e Teresa Cunha.
Um dos momentos mais simbólicos acontece a 23 de outubro, com a inauguração do busto de Luís Cardoso, no Jardim do Sameiro. Nesse mesmo dia será apresentada a reedição do romance Olhos de Coruja Olhos de Gato Bravo, numa conversa que juntará o autor, Adélia Carvalho e Ondjaki.
A componente musical contará com nomes sonantes da música portuguesa. A 23 de outubro sobe ao palco Dulce Pontes. No dia seguinte realiza-se o tributo Luís Represas, uma voz por Timor, evocando a canção Timor, dos Trovante, com curadoria de Manuel Faria e participação de João Gil, Mona Miari, Cícero Lee, Flávio Serpa, Irene Lima e João Nuno Represas.
No sábado, Ana Sousa Dias conduz ainda uma entrevista de vida a Luís Cardoso, antes de um encontro entre poesia e música protagonizado pelo escritor e o Quarteto da Travessia.
O encerramento da programação musical caberá a Sérgio Godinho, acompanhado pelo pianista Filipe Raposo. O último dia incluirá também manifestações etnográficas do Grupo de Estudantes Timorenses no Porto e um menu de degustação de gastronomia timorense.
Nascido em Kailako, em 1958, Luís Cardoso chegou a Portugal em 1975, após a invasão indonésia de Timor-Leste. Considerado uma das principais vozes da literatura timorense, é autor de obras como Crónica de Uma Travessia, Requiem para o Navegador Solitário, Para Onde Vão os Gatos Quando Morrem?, O Plantador de Abóboras e Hotel Timor. Recebeu o Prémio Oceanos em 2021 e o Colar da Ordem de Timor-Leste em 2023.
Criado em 2008, o Escritaria distingue anualmente um escritor vivo de língua portuguesa, transformando Penafiel num espaço de celebração da literatura e do diálogo entre culturas.

