Portugal prepara-se para assistir, no próximo dia 12 de agosto de 2026, a um eclipse total do Sol, um fenómeno astronómico raro em que a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, cobrindo o disco solar e transformando temporariamente o dia em noite. Diante da expetativa do evento, a Direção-Geral da Saúde (DGS) emitiu um conjunto de alertas e recomendações de segurança, sublinhando que a observação inadequada pode provocar lesões oculares graves e irreversíveis.
O evento terá uma duração total de aproximadamente duas horas, com início previsto para as 18:33h e término às 20:23h. O momento de máxima ocultação do Sol ocorrerá às 19:30h, registando uma duração inferior a meio minuto.
Com o objetivo de prevenir acidentes e proteger a saúde pública, a DGS publicou dois guias práticos dirigidos à população e a empregadores.
Perigos “invisíveis”: Queimadura ocular e cegueira
A autoridade de saúde alerta que a observação direta do Sol representa um risco grave para a visão, podendo causar queimadura solar no olho. Esta lesão ocorre sem qualquer sensação de dor — uma vez que a retina não possui recetores dorosos —, resultando no dano ou destruição dos fotorrespectores sem que a pessoa se aperceba no momento.
Em situações extremas, a exposição desprotegida pode conduzir à cegueira irreversível, cujos efeitos podem não ser imediatamente aparentes.
Sintomas e sinais de alerta
A DGS recomenda que, caso surja algum dos seguintes sintomas durante ou após o eclipse, a população contacte imediatamente a Linha SNS 24 (808 24 24 24):
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Visão distorcida ou turva;
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Manchas ou pontos negros no campo de visão;
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Alteração na perceção das cores;
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Diminuição ou perda súbita de visão;
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Dor ocular intensa.
Recomendações de Segurança: O que deve e não deve fazer
O que DEVE fazer:
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Usar óculos certificados: A única forma segura de observar o eclipse é com óculos de proteção solar especializados que cumpram a norma internacional ISO 12312-2 e exibam a marcação CE.
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Colocação correta: Os óculos devem ser colocados no rosto antes de olhar em direção ao Sol e só devem ser retirados depois de desviar completamente o olhar.
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Atenção redobrada com as crianças: As crianças pequenas nunca devem olhar diretamente para o Sol, mesmo utilizando óculos próprios para eclipse.
O que NÃO deve fazer:
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Nunca olhar a “olho nu”: A observação sem proteção causa danos permanentes na retina.
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Não usar óculos de sol comuns: Óculos de sol padrão, mesmo polarizados ou muito escuros, não oferecem proteção contra a radiação solar do eclipse.
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Evitar dispositivos sem filtro solar adequado: Não observe o Sol através de câmaras de smartphone, visores óticos de máquinas fotográficas, telescópios ou binóculos que não disponham de filtros solares especializados.
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Proibido usar “soluções caseiras”: Materiais como radiografias, vidros negros, películas ou lentes de soldador não adaptadas são incapazes de filtrar a radiação nociva.
Impacto psicológico e alterações ambientais
Além dos aspetos físicos e visuais, a DGS assinala que o eclipse total pode provocar reações psicológicas como surpresa, ansiedade ou receio. Tais sentimentos estão associados às mudanças repentinas no meio ambiente durante a fase de ocultação, nomeadamente a redução drástica da luminosidade em pleno dia, a queda da temperatura local, alterações no vento e uma invulgar redução do ruído ambiental.
Para mais detalhes e acesso aos guias completos de orientação, a DGS remete os cidadãos e as empresas para os canais oficiais do SNS e do Governo.


