Com novas instalações, tecnologia 5.0 e um modelo pedagógico inovador que simula o contexto real de fábrica, a Academia Profissional Prof. Albino de Matos, de Paços de Ferreira prepara-se para iniciar o ano letivo com os olhos postos na reindustrialização, na tecnologia e no futuro da construção modular.
No Vale do Sousa, o ensino profissional prepara-se para dar um salto qualitativo. A Academia Profissional Prof. Albino de Matos, em Paços de Ferreira, arranca o novo ano letivo com uma transformação profunda. Graças a um investimento financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência no âmbito dos Centros Tecnológicos Especializados, a instituição passa a contar com uma nova Oficina altamente tecnológica, mais seis salas de aula e uma forte aposta na inovação pedagógica.
O objetivo passa por quebrar as barreiras entre a sala de aula e o mercado de trabalho, transformando a escola numa verdadeira “fábrica”. “Queremos transmitir aqui o saber fazer. Acredito que a fábrica vá trazer alunos, mais interessados em aprender a fazer com as mãos e com a tecnologia”, referiu Sílvia Azevedo, Presidente da Academia.

Tecnologia 5.0 e aprendizagem vertical: o modelo da “Fábrica”
O grande destaque desta renovação é a nova Oficina, equipada com uma CNC industrial e maquinaria de última geração que responde às exigências da indústria 5.0. O espaço conta ainda com braços robóticos, impressoras 3D e salas dedicadas à programação e ao desenho técnico.
Contudo, a mudança vai também sentir-se no método pedagógico. A Academia vai implementar uma formação transversal ao longo dos três anos do ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º anos), onde os alunos trabalham em conjunto num projeto anual que resultará num produto final para o mercado. Neste contexto, os do 10.º ano vão pensar no projeto inovador, que será desenhado pelos alunos do 11.º e desenvolvido pelos alunos do 12.º ano.
Este percurso focar-se-á, essencialmente, nas áreas das madeiras, tecnologia e da construção industrial, envolvendo cursos como Design de Equipamentos, Design de Interiores e Exteriores, Técnico de Desenho de Madeira e Mobiliário, Construção Industrial, Programação em CNC e Sistemas de Computação e Redes.

Antecipar as tendências: Construção Industrial e Modular e Tecnologia
Alinhada com o futuro, a Academia estreia este ano o curso de Construção Industrial, em parceria com o de Técnico de Design de Interiores e Exteriores. “O objetivo é liderar e preparar o concelho para a área da construção modular, que é claramente o futuro do setor”, explica Sílvia Azevedo.
Ao todo, a instituição disponibilizará 12 cursos — seis direcionados para jovens e seis para adultos —, contando com um corpo docente reforçado de cerca de 60 professores e formadores. Além da forte vertente industrial e tecnológica, a Academia mantém o seu compromisso com a comunidade através do curso de Ação Social, focado na animação e intervenção comunitária.

Uma parceria real com o tecido empresarial
Para garantir que a formação responde diretamente às necessidades das empresas locais, a administração liderada por Sílvia Azevedo tomou uma decisão estratégica nos últimos cinco anos e trouxe os empresários para dentro do Conselho de Administração.
O sucesso desta sinergia reflete-se nos números: a taxa de colocação dos alunos ronda os 90%, sendo que os restantes 10% optam por ingressar no Ensino Superior. “As nossas empresas absorvem todos os alunos”, garante a presidente e diretora pedagógica.
Para estreitar ainda mais estes laços, a Academia está a lançar um desafio às empresas da região para que venham à escola dar aulas práticas. É uma forma de aproximar a indústria dos jovens e de “tornar os estudantes mais apaixonados pela arte”.

Homenagem às origens da indústria local
Depois de 30 anos como Profisousa e Vértice, Sílvia Azevedo fala de um passado que “tem que ser respeitado” e que deu origem a um projeto “diferenciado, que não é melhor nem pior, mas que se ajustou às necessidades do mercado”. “Criou-se um caminho, uma estratégia e seguimos em frente”, acrescentou.
E a evolução da antiga Profisousa (com 30 anos de história) para a atual marca, além de criar um novo caminho na formação, quis também prestar uma homenagem ao homem que fundou a primeira fábrica de móveis de Paços de Ferreira, em Freamunde – o Prof. Albino Matos.
Sendo professor, Albino Matos percebeu na altura que o mobiliário escolar não era o adequado para os alunos e decidiu fabricá-lo ele próprio. Desse passo nasceram os primeiros marceneiros e o cluster de mobiliário que hoje define a região. “Ele quis operar mudanças no ensino e nós queremos fazer o mesmo, reajustar o ensino às necessidades do concelho. E é o que temos vindo a fazer, estarmos cada vez mais próximos, trazendo as empresas para dentro das salas de aulas, levando os nossos alunos para as empresas”, concluiu Sílvia Azevedo.

