AG Pacos24 04 26
Rui Abreu, que antes da votação tinha colocado o seu lugar à disposição caso o projeto fosse rejeitado, viu a sua aposta ser validada
ISCE Douro 2026

Numa Assembleia Geral que ficará marcada como um dos momentos mais importantes da história do clube, a proposta de criação da SAD e a entrada do grupo PMK foi aprovada por uma margem mínima. Apenas 13 votos separaram o “sim” do “não”, confirmando uma massa associativa dividida sobre o destino do emblema pacense.

O FC Paços de Ferreira viveu, nesta sexta-feira, uma noite de forte expetativa e incerteza absoluta. A votação que decidiu a criação da Sociedade Anónima Desportiva (SAD) e a parceria com o grupo brasileiro PlayMaykers Sports (PMK) terminou com um resultado apertado que ilustra bem o clima de dúvida que rodeia o projeto: 50,2% a favor contra 49,8% de votos contra, brancos ou nulos.

Dada a exiguidade da diferença — apenas 13 votos de vantagem para a proposta da direção, com 1823 votos a favor e 1810 contra, num universo de 544 votantes — foi solicitada uma recontagem no local, que acabou por confirmar, de forma definitiva, a aprovação do projeto.

Uma votação “no fio da navalha”

A margem de apenas 13 votos é o reflexo da importância do momento. De um lado, a urgência de uma solução financeira para evitar a insolvência e a queda no abismo; do outro, as reservas, tanto económicas como sentimentais, sobre a cedência da estrutura do clube a investidores externos.

O presidente Rui Abreu, que antes da votação tinha colocado o seu lugar à disposição caso o projeto fosse rejeitado, viu a sua aposta ser validada, mas com a nota de que quase metade dos sócios presentes se opunha ao modelo apresentado. Este resultado coloca, inevitavelmente, uma pressão acrescida sobre a nova gestão: o sucesso da SAD e a recuperação financeira do clube deixaram de ser apenas objetivos desportivos, tornando-se uma necessidade absoluta para justificar a curta margem de confiança concedida pelos associados.

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Fila de associados à entrada para uma das Assembleias Gerais mais marcantes do FC Paços de Ferreira

Contexto do Acordo

Apesar da tensão e da divisão na votação, o projeto que agora avança com o selo de aprovação dos sócios segue os seguintes parâmetros:

  • Injeção de Capital (Época 2025/2026): O acordo prevê uma injeção de 1 250 000€, dos quais 500 000€ já foram recebidos pelo clube.

  • Aquisição Faseada de Capital: A PMK assume, numa primeira fase, 49,90% do capital social da nova SAD, mantendo o clube uma ligeira maioria de 50,10%. O plano prevê que, até dezembro de 2029, a PMK possa deter até 80% do capital.

  • Salvaguardas de Risco: O contrato inclui cláusulas de proteção financeira caso o passivo ultrapasse os 5,6 milhões de euros e reserva à PMK o direito de desistir ou renegociar caso o clube desça à Liga 3.

  • Gestão: O clube manterá o direito de indicar o Presidente da SAD, num Conselho de Administração de cinco elementos.

Divisão de responsabilidades

Com a votação encerrada, a estrutura do FC Paços de Ferreira entrará numa nova fase de separação de funções:

  • Responsabilidade da SAD: Futebol profissional sénior, equipa B/Sub-23 (se criada) e Juniores A. Toda a gestão orçamental passa a ser da responsabilidade da PMK.

  • Responsabilidade do Clube: O associativismo mantém a gestão das equipas femininas, futsal, formação (até aos juvenis), veteranos e bilhar.

Com este passo, o FC Paços de Ferreira entra agora numa fase de transição, com o objetivo traçado de consolidar a estabilidade financeira na próxima época, para, a partir de 2027/2028, construir um projeto competitivo capaz de lutar pelo regresso à Primeira Liga.

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