O Prémio Nobel da Literatura de 2025, L. KrasznahorKai, esteve no Porto para participar no Festival Babell.
Não assisti à conversa que aconteceu, naturalmente, na Livraria Lello. Do que ouvi, do que li sobre esse encontro recente, faz-me acreditar que foi muito bom, que terá valido a pena…
Globalmente, o escritor nascido na Hungria, falou sobre o papel da arte e da cultura no tempo actual! Questionou os presentes, e não só, sobre o papel da Literatura e chegou a afirmar que estamos a viver um tempo difícil, aceitando mesmo dizer que, em alguns aspectos, estamos a assistir ao fim de um mundo e, ou, ao nascimento de outro… No prolongamento da conversa, o Nobel citado, admite mesmo que o mundo está a viver um caos quase absoluto. E falou muito da Literatura, chegando a citar Homero, Dante ou Pessoa… Defendeu a escrita convencional, condenou a era digital presente que, como sabemos, alterou tudo num espaço bem curto. Concordo com ele, claro, estragou-se o fascínio da Literatura, reduziu-se significativamente o actual número de leitores e, como é natural, condenou a concentração indispensável à leitura de um livro. Concordo com o Nobel húngaro de nome difícil e também aceito que, se este novo recurso ao digital continua, qualquer dia não há leitores ou a actividade da leitura será reduzida a alguns, poucos, que passarão a ser apelidados de elitistas.
Disto tudo, creio, L.K. não parece prever grande futuro para a Literatura e admitiu que muitos dos livros que iria autografar nesse dia, não chegariam a ser lidos. Nunca. Falou muito do seu processo de escrita que é, afinal, comum a quase todos os livros que escrevem… Naturalmente, defendeu que a Literatura requer a prática de leitura constante. Ninguém escreve sem antes viver muitos livros lidos ou muito esforço de concentração que a leitura também exige.
Curiosamente, neste encontro, o escritor húngaro diz que continua, hoje, a fazer o mesmo que fazia quando publicou o seu primeiro livro. Isto quer dizer que continua a não esquecer os autores que antes leu, que estudou e não quer esquecer… E é assim que, hoje, passado tanto tempo, essas obras lidas e guardadas na memória, são as que lhe dão a força indispensável para continuar a escrever.
Hoje, terá dito a Pedro Abrunhosa que moderou o debate, que continua a não ser um escritor convencional que desenha a estrutura de um qualquer romance ou a apagá-lo ou a recomeçar… Disse nunca trabalhar assim e, por sorte, disse poder escrever por impulso que, antes, se chamava inspiração…
O olhar do escritor é um sinal de que continua vivo e, em paralelo, que acaba por ajudar a funcionar a sua imaginação. Indispensável num romance, claro! Ou qualquer coisa que aparece e que abre o caminho para a evolução do texto. E que, depois, surgem as imagens que conduzem as personagens, os encontros e os desencontros e no fim… uma intriga, um livro!
Deste apanhado de informação que me pareceu muito útil, faz-se a leitura que também conduz à imaginação e, desta ideia, surge a frase que quero guardar e que transcrevo: “Sem imaginação não é possível ler literatura, nem compreender verdadeiramente a arte, e não tenho nenhum interruptor que permita desligar a minha imaginação.”
Afinal, quando lemos, a imaginação acende-se e daí, poderá nascer um livro…

