Projetos nas áreas da saúde, turismo e coesão social fecharam o programa de aceleração ONZE Scale. Ecossistema regional reuniu-se em Penafiel para fixar valor e combater a desertificação.
A sede da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, em Penafiel, transformou-se no epicentro da inovação social da região. O Demo Day do ONZE Scale, evento que assinalou o encerramento de um programa de aceleração de base tecnológica e social, serviu de palco para cinco startups apresentarem soluções validadas em contexto real, desenhadas especificamente para responder às necessidades demográficas, geográficas e económicas deste território.
Perante uma plateia composta por investidores, autarcas, diretores de hospitais públicos e privados, académicos e dirigentes do setor social, os empreendedores demonstraram como a tecnologia e o empreendedorismo podem ser colocados ao serviço da coesão territorial. O programa ONZE Scale focou-se, ao longo de vários meses, em capacitar organizações com potencial de crescimento e impacto social mensurável, adaptando os seus modelos de negócio à realidade local.
Alavancar o território através da inovação
“Tivemos dois meses de trabalho personalizado com cada uma destas soluções para conseguirem escalar o negócio para qualquer território”, explicou Rui Peixoto Lira, Gestor de Projeto do ONZE | Coletivo de Impacto. O desafio seguinte, sublinha, passou por contextualizar essa inovação: “E se fosse aqui, no nosso território, como é que melhoramos a região a partir destas soluções?”. Para o responsável, a missão da estrutura passa por “criar alavancas, abrir portas e aproximar a inovação das entidades do território”.
A localização estratégica do Tâmega e Sousa, vizinho da Área Metropolitana do Porto, foi um dos pontos fortes destacados durante o evento. Rui Pedroto, em representação da Fundação Manuel António da Mota (um dos investidores sociais do projeto), enfatizou que a região reúne todas as condições para ser “um motor de desenvolvimento do país”, ajudando a “valorizar o interior e a ter um país territorialmente mais coeso, evitando a desertificação e a desvitalização geográfica”.
O desafio da sustentabilidade futura foi lançado por Telmo Pinto, 1.º secretário da CIM Tâmega e Sousa, que recordou que “aquilo que é muito grande hoje, uma altura foi muito pequeno”, acrescentando que, “a parte mais simples é o financiamento”. “O grande desafio é fazer desse financiamento uma alavanca para a criação de valor e de empresas que hoje são pequenas, mas que amanhã podem ser grandes e, se possível, globais”, reforçou.
Cinco projetos com os olhos no futuro da região
As soluções apresentadas dividem-se em duas grandes frentes estratégicas para o Tâmega e Sousa: a modernização dos cuidados de saúde e a valorização das comunidades e do turismo sustentável.
Saúde e Monitorização Clínica
- Gripwise Tech: Liderada por Ricardo Mora, foca-se na fragilidade física e na perda de autonomia. Desenvolveu um dispositivo inteligente e adaptável que permite aos profissionais clínicos avaliar a força muscular de forma simples, rápida e precisa.
- Wisify: Sob a direção de Tiago Andrade, a startup aposta no desenvolvimento de dispositivos médicos de alta precisão orientados para o diagnóstico e monitorização clínica dos doentes.
- HC Healthcare & Innovation: O projeto de Helder Palheira ataca o isolamento e a mobilidade através de uma plataforma digital que liga a oferta e a procura de serviços médicos ao domicílio, descentralizando os cuidados de saúde.
Coesão Social e Turismo Sustentável
- Casa da Abóbora: Associação juvenil sediada em Aldeia, Cinfães. Liderada por Joana Faria, foca-se na dinamização comunitária em territórios de baixa densidade, trabalhando diretamente com populações rurais para promover a sustentabilidade ambiental e a coesão social.
- Stay to Talk: Um projeto de Carolina Mendes que propõe um modelo de turismo de imersão cultural e sustentável, convertendo a hospitalidade tradicional do Tâmega e Sousa numa experiência autêntica para os visitantes e gerando valor direto para os habitantes locais.
Sobre o ONZE | Coletivo de Impacto A iniciativa é promovida pelo Instituto Empresarial do Tâmega e pela Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico do Porto (ESTG-P.Porto). Conta com o investimento social da CIM Tâmega e Sousa e da Fundação Manuel António da Mota, sendo cofinanciada pela Portugal Inovação Social, Norte 2030, Portugal 2030 e pela União Europeia.
O encerramento deste ciclo do ONZE Scale abre agora espaço a um período de networking e contratualização, onde se espera que as pontes lançadas em Penafiel resultem em parcerias concretas entre as startups e os municípios, hospitais e IPSS da região nos próximos meses.


