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Centro de Saúde de Paços de Ferreira desde as 9h00 da manhã sem consultas de médicos e de enfermagem
ISCE Douro 2026

Uma falha de rede nacional deixou hospitais e centros de saúde sem acesso à Internet. Em Paços de Ferreira, a inoperacionalidade do sistema administrativo suspendeu a atividade médica e de enfermagem desde as 9h00, gerando forte indignação e forçando o regresso às receitas em papel.

O Centro de Saúde de Paços de Ferreira encontra-se em situação de paralisia quase total desde as 9h00 da manhã desta sexta-feira, dia 12 de junho, devido a uma grave falha informática que afetou de forma sistémica o acesso à Internet nas redes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Sem ligação às plataformas digitais de registo clínico e de gestão de doentes, a unidade de cuidados primários viu-se forçada a suspender a totalidade das consultas médicas e de enfermagem agendadas para o dia de hoje.

De acordo com relatos recolhidos no local, a ausência de uma alternativa ou protocolo de contingência eficaz para o registo em suporte físico ditou o cancelamento imediato dos atos clínicos. Os utentes que se deslocaram à unidade foram mandados regressar a casa com a indicação de que os seus agendamentos serão remarcados em data ainda por definir. A situação gerou um clima de descontentamento entre os cidadãos, que se viram privados de cuidados programados.

“Isto é uma vergonha de gestão e de cuidado com as pessoas. Os cuidados de saúde passaram para segundo plano face aos sistemas administrativos, enquanto os profissionais de saúde assobiam para o lado como se nada fosse com eles.”

Tratamento desigual no SNS e o impacto nas farmácias

O bloqueio vivido em Paços de Ferreira contrasta com a resposta adotada noutras unidades de saúde da região e do país. A aplicação de critérios de contingência tem-se revelado fortemente assimétrica: enquanto alguns centros de saúde optaram pela suspensão integral de qualquer atividade programada, outros decidiram manter em funcionamento uma rede de cuidados e tratamentos mínimos essenciais, assegurando aos utentes serviços urgentes de enfermagem, como a realização de pensos e curativos.

À escala nacional, os impactos da quebra de rede estendem-se aos hospitais e ao setor farmacêutico. Perante o apagão digital, os médicos viram-se obrigados a reintroduzir a emissão manual de receitas e guias de tratamento em papel. Esta alteração forçada está a provocar graves estrangulamentos nas farmácias comunitárias, onde o processo de validação e dispensa de medicamentos regista fortes atrasos e dificuldades técnicas.

Perante a gravidade do cenário e a aparente fragilidade das infraestruturas tecnológicas do Estado, as estruturas sindicais da saúde já reagiram publicamente. O sindicato representativo do setor emitiu um comunicado onde exige esclarecimentos urgentes e detalhados à tutela, apontando a necessidade premente de apurar as responsabilidades pelo colapso do sistema e de garantir planos alternativos robustos que impeçam que falhas burocráticas ou administrativas voltem a comprometer o direito à saúde dos cidadãos.

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