CadeiadeSeroa
A nível nacional, há atualmente mais de 200 pessoas a cumprir pena por ligação a incêndios.
ISCE Douro 2026

O Estabelecimento Prisional do Vale do Sousa, situado em Seroa, Paços de Ferreira, foi um dos selecionados pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) para implementar o novo programa destinado a reabilitar condenados pelo crime de incêndio florestal. A nível nacional, há atualmente mais de 200 pessoas a cumprir medidas judiciais por este crime.

O Programa de Reabilitação para Incendiários — cuja criação começou a ser desenhada em 2016 com base num modelo da Universidade de Kent, no Reino Unido — vai arrancar no terreno já no próximo mês de julho. A iniciativa estende-se a sete estabelecimentos prisionais do país: além do Vale do Sousa, integram a lista as cadeias de Castelo Branco, Coimbra, Izeda (Bragança), Lisboa, Viseu e Porto.

A escolha destas unidades e das respetivas Equipas de Reinserção Social obedeceu a um critério de proximidade e volume, dando-se prioridade às zonas “onde existe maior número de indivíduos condenados por crime de incêndio florestal”.

Formato individual após testes em grupo

Segundo explicou a DGRSP à agência Lusa, o programa vai funcionar, numa primeira fase, em formato individual. Esta decisão surge após a análise de um projeto-piloto que decorreu entre 2019 e 2022, no qual os técnicos identificaram dificuldades na aplicação das dinâmicas em grupo.

Para operacionalizar o programa, arranca já na próxima semana a formação de 20 técnicos especialistas. O objetivo da tutela é capacitar estes profissionais não só para a aplicação direta do programa a partir de julho, mas também para que possam formar outros técnicos no futuro, garantindo a disseminação do projeto consoante as necessidades de cada região.

O panorama do crime de incêndio em Portugal

O programa foi desenhado com o objetivo central de prevenir a reincidência e vai ser aplicado tanto dentro como fora do sistema prisional. De acordo com os dados mais recentes apresentados pela DGRSP, a moldura penal e de reinserção social para o crime de incêndio florestal distribui-se da seguinte forma:

População Prisional:

  • 59 condenados a cumprir pena efetiva;

  • 29 detidos em regime de prisão preventiva;

  • 20 cidadãos declarados inimputáveis com medida de internamento em instituição psiquiátrica.

Em Meio Aberto (fora das prisões):

  • 108 pessoas a cumprir suspensão da execução da pena de prisão;

  • 4 pessoas sob obrigação de permanência na habitação com recurso a pulseira eletrónica.

Com o arranque calendarizado para julho, o Estabelecimento Prisional de Seroa assume-se assim como um dos polos centrais na região do Tâmega e Sousa para a aplicação desta estratégia nacional de reinserção e prevenção de fogos.

Subscreva a newsletter do Imediato

Assine nossa newsletter por e-mail e obtenha de forma regular a informação atualizada.