JP Oliveira
João Paulo Oliveira

Arranca hoje, dia 21, em Penafiel, a 45.ª edição da maior feira agrícola do Norte e Centro do país. Em entrevista ao Jornal IMEDIATO, João Paulo Oliveira, presidente do Conselho de Administração da Penafi el Activa, detalha o forte investimento de cerca de 2.3 milhões de euros, na requalifi cação das infraestruturas, antecipa o impacto económico no Vale do Sousa e explica como o certame equilibra a tradição agrícola com os grandes nomes do entretenimento nacional. A feira, o maior certame agrícola do Norte e Centro de Portugal e uma das iniciativas económicas mais relevantes do país, prolonga-se até ao dia 30 de agosto prepara-se para acolher centenas de expositores e dezenas de milhares de visitantes num recinto renovado. A vertente de entretenimento volta a ser um dos grandes atrativos das noites de Penafi el, reunindo artistas de topo do panorama nacional, nomeadamente Expensive Soul (dia 21), Os Vizinhos (dia 22), Mizzy Miles (dia 23), Buba Espinho (dia 24), Nena (dia 25), UHF (dia 26), Sara Correia (dia 27), MC Kevinho (dia 28) e Pedro Abunhosa (dia 29). 

 

– A requalificação do Pavilhão AGRIVAL focou-se no conforto térmico, acústico e na eficiência energética. Qual foi o investimento global desta modernização e de que forma estas melhorias alteram a dinâmica de acolhimento de expositores e visitantes?

A modernização do Pavilhão AGRIVAL representa um investimento importante na valorização de um equipamento que tem um papel estratégico não apenas para a AGRIVAL, mas para a capacidade de Penafiel receber grandes eventos ao longo de todo o ano.

A intervenção está a melhorar várias dimensões da experiência de quem utiliza o espaço, desde o conforto térmico e a circulação de ar à eficiência energética e às condições de segurança.

Foram realizadas intervenções nas coberturas das naves, novas caixilharias e melhorias no sistema de climatização e circulação de ar. Paralelamente, foram reforçadas as condições de segurança, incluindo a instalação de um sistema de monitorização que permitirá acompanhar, em tempo real, diferentes áreas do recinto durante os eventos.

Para os expositores, significa melhores condições para apresentar os seus produtos e receber clientes e parceiros. Para os visitantes, significa maior conforto e segurança durante a permanência no recinto.

É um investimento que deve ser visto numa perspetiva de médio e longo prazo, porque o Pavilhão AGRIVAL é uma infraestrutura que serve Penafiel e a região para além dos dez dias da feira.

– Com a renovação da zona de bares e a expectativa de dezenas de milhares de visitantes, que desafios operacionais e de logística (como acessibilidade e estacionamento) a Penafiel Activa foram priorizados?

Um evento desta dimensão exige um planeamento muito rigoroso e uma articulação permanente entre várias entidades e equipas.

A prioridade é garantir que o visitante tenha uma experiência segura e confortável desde o momento em que chega ao recinto até à sua saída. Isso implica organizar os diferentes fluxos de pessoas, veículos, fornecedores, expositores e equipas de apoio, garantindo que cada operação decorre sem interferir com o normal funcionamento da feira.

A renovação da zona de bares é também importante neste contexto, permitindo melhorar uma área que recebe diariamente um número muito elevado de pessoas.

Naturalmente, acessibilidade, estacionamento, circulação e segurança são áreas que merecem uma atenção especial. Estamos a trabalhar para que a grande afluência de público não comprometa a experiência de quem visita a AGRIVAL nem o funcionamento das restantes áreas do certame.

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– Quais são as expetativas de visitantes para a edição deste ano?

As expectativas são muito positivas. A AGRIVAL tem uma capacidade de atração que ultrapassa claramente os limites de Penafiel e, este ano, temos vários fatores que nos permitem encarar a edição com confiança.

Temos um programa muito diversificado, um cartaz musical com grande capacidade de atração, uma forte participação empresarial e agrícola e um espaço que apresenta melhores condições.

Não queremos, contudo, reduzir o sucesso da AGRIVAL apenas ao número de visitantes. É importante que quem vem encontre uma feira dinâmica, confortável e com condições para concretizar negócios, conhecer produtos, assistir aos espetáculos e usufruir de bons momentos.

Esperamos, naturalmente, dezenas de milhares de visitantes ao longo dos dez dias e queremos que cada um deles saia de Penafiel com vontade de regressar.

– Sendo o maior certame agrícola do Norte e Centro, de que forma a AGRIVAL cumpre hoje o seu objetivo original de alavancar a produção local do Vale do Sousa e dar escala aos pequenos e médios produtores da região?

A AGRIVAL continua a cumprir essa função, embora hoje o faça através de uma plataforma muito mais abrangente. Um pequeno produtor que participa na AGRIVAL consegue colocar o seu produto perante um público muito superior àquele que conseguiria alcançar individualmente. Tem contacto direto com consumidores, outros produtores, empresas, distribuidores e potenciais parceiros.

Essa exposição é particularmente importante para produtos de pequena escala ou de produção local, porque permite aumentar a notoriedade e criar novas oportunidades comerciais.

É também por isso que fazemos questão de manter os concursos e iniciativas associados aos produtos tradicionais. O Concurso da Cebola, o Concurso do Melão Casca de Carvalho, o Concurso do Pão de Ló e o Concurso da Broa de Milho não são apenas momentos de animação: são formas concretas de dar visibilidade a produtores e produtos que fazem parte da nossa identidade.

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– A AGRIVAL é classificada como o maior certame agrícola do Norte e Centro do país. Que estimativa de impacto económico direto e indireto a Penafiel Activa prevê para o concelho e para o Vale do Sousa durante estes 10 dias?

A dimensão económica da AGRIVAL não pode ser medida apenas pela atividade gerada dentro do recinto. Existe uma componente direta associada aos expositores, restauração, bilheteira e restantes atividades da feira, mas há depois um impacto indireto muito significativo no território.

Durante dez dias, milhares de pessoas deslocam-se a Penafiel, com efeitos na restauração, hotelaria, comércio, transportes e outros serviços. Existe também o impacto gerado pelas próprias empresas e produtores que aproveitam a feira para estabelecer contactos e concretizar negócios.

Por isso, a AGRIVAL funciona como um verdadeiro acelerador da atividade económica local durante o período do certame e como uma montra que pode gerar oportunidades comerciais para além dos dez dias da feira.

Mais do que avançar uma estimativa que não traduza toda esta realidade, é importante perceber que o impacto da AGRIVAL se prolonga muito para além do recinto e do período em que a feira está aberta ao público.

– Como se carateriza a adesão dos expositores em 2026? Houve crescimento no número de empresas participantes ou uma maior procura por parte de empresas fora do setor agrícola tradicional?

A adesão mantém-se muito positiva e confirma a capacidade da AGRIVAL para continuar a mobilizar o tecido empresarial. Temos empresas e produtores que regressam ano após ano, o que é um indicador muito importante: significa que encontram valor na participação e reconhecem na AGRIVAL uma oportunidade para apresentar produtos, estabelecer contactos e fazer negócio.

Ao mesmo tempo, a diversidade da feira permite atrair empresas de áreas que vão muito além da agricultura tradicional. Temos presença de setores como a agroindústria, maquinaria, automóvel, imobiliário, tecnologia, serviços, artesanato e gastronomia.

Essa diversidade não retira importância à componente agrícola. Pelo contrário, permite criar novas ligações entre o setor primário e outras áreas da economia e reforça a AGRIVAL enquanto plataforma empresarial.

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– O reforço da aposta na inovação agroalimentar é um dos pilares desta 45.ª edição. De que forma a feira atua como ponte entre a tradição agrícola do Vale do Sousa e as novas exigências de sustentabilidade e tecnologia no campo?

A agricultura que encontramos hoje é muito diferente daquela que existia quando a AGRIVAL começou. Os desafios são outros e a capacidade de adaptação do setor é essencial.

A AGRIVAL procura mostrar precisamente essa evolução. Ao lado dos métodos e produtos tradicionais, encontramos maquinaria, equipamentos, tecnologia e soluções que podem ajudar os produtores a trabalhar de forma mais eficiente e sustentável.

Essa convivência entre tradição e inovação é muito importante. Não queremos perder os conhecimentos e os produtos que fazem parte da identidade agrícola da região, mas queremos também mostrar que existe espaço para modernizar processos, aumentar a eficiência e criar maior valor.

A feira permite esse contacto direto. Um produtor pode conhecer uma nova solução tecnológica, falar com uma empresa especializada e perceber de que forma essa inovação pode ser aplicada à sua atividade.

– A presença do Ministro da Agricultura na sessão solene traz importância ao evento? A organização pretende fazer à tutela algumas reivindicações ou propostas concretas para apoiar os produtores locais?

A presença do Ministro da Agricultura é naturalmente importante e demonstra o reconhecimento da dimensão que a AGRIVAL alcançou e do papel que desempenha na promoção do setor agrícola.

Mais do que transformar a sessão solene num momento de reivindicação, entendemos que a AGRIVAL deve ser também um espaço de diálogo entre produtores, empresas, autarquias e Governo.

Existem desafios que preocupam todo o setor — desde a renovação geracional à sustentabilidade, passando pelos custos de produção, pela competitividade e pela necessidade de continuar a modernizar a agricultura.

É importante que os decisores políticos tenham contacto direto com quem está no terreno. A AGRIVAL proporciona precisamente essa oportunidade: ouvir os produtores, conhecer os seus problemas e perceber melhor as necessidades concretas do território.

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– O cartaz junta nomes de grande dimensão nacional como Pedro Abrunhosa, Sara Correia e MC Kevinho, mas dá também palco a grupos e coletividades locais. É importante envolver tudo o que é local no evento?

É fundamental. Uma feira com a dimensão da AGRIVAL deve ter capacidade para trazer grandes nomes nacionais, mas não pode desligar-se da comunidade onde está inserida.

Os artistas, grupos culturais, associações e coletividades locais dão à feira uma dimensão que não conseguimos obter apenas através de um grande cartaz.

Há uma ligação emocional muito forte quando as pessoas veem alguém da sua terra a atuar na AGRIVAL. É também uma oportunidade para dar visibilidade a talentos que muitas vezes não têm acesso a palcos com esta dimensão.

Queremos que a AGRIVAL seja simultaneamente uma montra do que existe de melhor no país e um espaço onde Penafiel e a região se reconhecem.

– Como se equilibra a componente de entretenimento com a matriz estritamente agrícola e empresarial do certame?

O equilíbrio está precisamente em não olhar para estas componentes como realidades concorrentes.

A agricultura e a atividade empresarial continuam a ser fundamentais para a identidade da AGRIVAL. A componente de entretenimento ajuda-nos a atrair públicos que, depois, têm contacto com essa realidade.

Uma família pode deslocar-se à feira por causa de um concerto e acabar por visitar os expositores, conhecer um produtor, experimentar um produto regional ou descobrir uma empresa.

É essa capacidade de juntar públicos diferentes que torna a AGRIVAL tão relevante. O entretenimento não substitui a componente agrícola e empresarial; ajuda a criar uma porta de entrada para ela.

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– Ao atingir a marca das 45 edições, qual é a visão de longo prazo para a AGRIVAL? Que caminho deve o evento percorrer até ao meio século de existência?

A prioridade é preparar a AGRIVAL para o futuro sem perder aquilo que a tornou única.

A modernização do Pavilhão é uma parte importante desse caminho. Queremos ter um equipamento cada vez mais preparado para receber grandes eventos, com melhores condições para expositores, visitantes e todos os profissionais envolvidos.

Ao nível da feira, queremos continuar a reforçar a qualidade da componente agrícola, empresarial e agroalimentar, apostar na inovação e na sustentabilidade e, simultaneamente, manter a capacidade de atrair diferentes públicos.

A AGRIVAL deve continuar a crescer em qualidade e não apenas em dimensão. E há uma ambição muito clara: quando chegarmos à 50.ª edição, queremos olhar para trás e perceber que conseguimos modernizar a feira sem perder a sua identidade, reforçando o seu papel como uma referência para Penafiel, para o Tâmega e Sousa e para o setor agrícola nacional.

 

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