A patologista portuguesa Fátima Carneiro foi distinguida com a primeira edição do Prémio internacional Jan Vincents Johannessen “Fire in your heart”, uma honraria que reconhece contributos excecionais para a investigação em oncologia e para a transformação da anatomia patológica. A entrega do galardão decorreu durante o Onco-Pathology Meeting, em Oslo, Noruega.
Professora Emérita da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e investigadora sénior do i3S/IPATIMUP da U.Porto, Fátima Carneiro foi escolhida de forma unânime por um júri internacional presidido por Sigbjørn Smeland, diretor do Norwegian Radium Hospital, e integrado pelos professores eméritos Jan Vincents Johannessen, Manuel Sobrinho Simões e Leonor David.
O prémio, criado para homenagear o legado do patologista norueguês Jan Vincents Johannessen, distingue investigadores na área do diagnóstico molecular do cancro que se tenham destacado pela excelência científica, liderança e aplicação prática dos seus avanços na clínica. A distinção inclui um prémio monetário de 20 mil euros e uma peça artística em vidro feita à mão.
Percurso científico e liderança internacional
Fátima Carneiro é considerada uma das maiores referências mundiais no estudo da etiopatogénese e da patologia molecular do cancro gástrico. Ao longo da sua carreira, a investigadora tem-se focado em áreas determinantes para a compreensão da doença:
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Infeção e Genética: Estudo da interação entre os fatores de virulência da bactéria Helicobacter pylori e a suscetibilidade genética dos doentes.
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Mecanismos Moleculares: Investigação dos processos envolvidos no desenvolvimento do cancro gástrico esporádico e hereditário, com especial foco no cancro gástrico difuso hereditário.
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Publicações de Impacto: Autora de mais de 500 artigos científicos e capítulos de livros, com um índice h de 91 na Scopus, integrando habitualmente as listas dos cientistas mais citados do mundo.
Além da atividade de investigação, Fátima Carneiro teve um papel central na padronização internacional do diagnóstico oncológico. Foi coeditora da 4.ª edição do WHO Classification of Tumours of the Digestive System e integrou os comités editoriais das edições mais recentes da classificação de tumores da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A investigadora presidiu à European Society of Pathology (2011–2013) e à Academia Nacional de Medicina de Portugal (2018–2020). Integra ainda o International Gastric Cancer Linkage Consortium, a direção da European Academy of Cancer Sciences e o Conselho Consultivo Científico da rede europeia TRANSCAN.
Entre as várias distinções acumuladas ao longo do seu percurso figuram o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (2006), o título de “A Patologista Mais Influente do Mundo” pela revista The Pathologist (2018), o Gago Award in European Science Policy (2022) e o Marshall & Warren Award (2024).

