O espaço cultural «Ponto C», em Penafiel, registou este sábado, 24 de outubro, lotação esgotada para receber o músico britânico Roger Waters e a cantora e compositora palestiniana Mona Miari. A dupla protagonizou a estreia europeia ao vivo do tema “Comfortably Numb Re-Imagined”, num concerto que integrou a 19.ª edição do festival literário Escritaria, dedicado este ano ao escritor timorense Luís Cardoso.
Seis meses após terem atuado juntos em Nova Iorque, Waters e Miari apresentaram em solo europeu a reestruturação da clássica composição dos Pink Floyd, lançada em junho de 2026. A interpretação, que cruza vozes e idiomas em inglês e árabe, propõe uma reflexão sobre a guerra, a perda, o deslocamento e a condição humana.
Durante a sua intervenção em palco, Roger Waters centrou a mensagem na urgência do apoio à causa palestiniana e na defesa dos direitos fundamentais. O cofundador dos Pink Floyd defendeu a restauração da Palestina nas fronteiras de 1948, apelando à memória histórica «antes de serem invadidas pelos colonos… Antes disso, antes do genocídio… Antes de tudo o que temos visto acontecer bem diante dos nossos olhos». O artista sublinhou ainda a responsabilidade coletiva na consciencialização global, terminando com uma mensagem de convicção: «Esta é uma batalha que nós vamos vencer. A Palestina será livre».
Homenagem a Luís Represas e a mobilização de «Timor»
A atuação da dupla internacional foi antecedida pela conversa-concerto «Luís Represas, uma voz por Timor». A sessão prestou tributo ao ex-membro dos Trovante e, em particular, ao valor simbólico e político da canção “Timor”, decisiva na mobilização da sociedade portuguesa a favor da autodeterminação do povo timorense.
Com curadoria do músico Manuel Faria e moderação do jornalista Pedro Dias de Almeida, o tributo contou com as participações em palco de Cícero Lee, Flávio Serpa, João Gil e João Nuno Represas.

