A Federação Mundial de Saúde Mental (World Federation for Mental Health) propôs o dia 10 de outubro como o Dia Mundial da Saúde Mental. Promover a saúde mental é algo muito mais vasto do que «tratar» «doenças» ou «perturbações mentais», como as assinaladas no DSM-5-TR.
Infelizmente, sabemos que, no ambiente de trabalho, os perigos psicossociais estão na origem de 96 mortes por hora, a nível mundial, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), em 2025. Os perigos psicossociais não estão presentes apenas no contexto profissional! Também estão presentes no ambiente familiar, como, infelizmente, demonstra o aumento de 13,3 % dos níveis de violência doméstica.
Do mesmo modo, estão presentes no ambiente escolar, onde se verifica um aumento dos atos de violência e de bullying. Os perigos psicossociais estão onde está o ser humano… sobretudo quando existe “desequilíbrio” nas suas relações com o meio envolvente!
A promoção da saúde mental é, pois, uma responsabilidade de todos nós!
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental «é um estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza as suas capacidades próprias, pode manejar as dificuldades normais da vida, pode trabalhar de forma produtiva e frutuosa, e é capaz de prestar uma contribuição para a sua comunidade», conforme consta do livro A Saúde Mental dos Portugueses, da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Deste conceito, podemos retirar algumas ilações:
«Realiza as suas capacidades próprias» — Ou seja, desenvolve todo o seu potencial. Mas, para desenvolver plenamente esse potencial, é necessário possuir um conjunto de competências. O conteúdo funcional e as tarefas associadas ao posto de trabalho são adequados às competências do trabalhador? Os seus conhecimentos, aptidões e atitudes correspondem às exigências da função? Ou será necessário investir na sua capacitação? A aquisição de uma competência tem como objetivo gerar resultados que, por sua vez, irão determinar o nível de desempenho. Estar sempre disponível para evoluir… é fundamental, tanto pessoalmente quanto profissionalmente.
«Manejar as dificuldades normais da vida» — Viver não é uma tarefa fácil! A vida implica situações desafiantes, que nos retiram da nossa zona de conforto. Implica saber sofrer (buscar o sentido do sofrimento), cair, levantar, aprender, superar! Para muitas pessoas, qualquer «coisinha» que saia da rotina, que implique um envolvimento mais profundo, representa um fator de stress.
Curiosamente, o stresse pode ser uma resposta positiva, normal e natural quando se transforma em eustress. Tal como é impossível correr sem que o ritmo cardíaco acelere — ainda bem —, também é natural sentir stresse quando fazemos algo importante ou pela primeira vez. E está tudo normal… Há que seguir em frente, com a preparação adequada! O problema surge quando o stress se transforma em distress. Esta situação poderá estar mais relacionada com o contexto — pressão mental, carga de trabalho, ausência de recursos, limitações de tempo e qualidade do ambiente relacional — do que, por vezes, com a própria pessoa! Esta poderá ser apenas uma vítima das circunstâncias, sem dispor, eventualmente, das condições psicológicas e/ou materiais necessárias para sair da teia de colegas ou líderes manipuladores e tóxicos.
«Trabalhar de forma produtiva e frutuosa» — Na realidade, o trabalho deveria ser também uma fonte de felicidade. Através dele, deveria ser possível realizarmo-nos profissionalmente. A procura da excelência, não como obrigação ou imposição, mas como expressão de brio, compromisso e prazer na evolução contínua, deveria constituir uma prática habitual.
«Prestar uma contribuição para a sua comunidade» — Somos seres sociais e, por isso, temos responsabilidades sociais. Como seres sociais é fundamental trabalhar relações sociais significativas ao longo da vida. A sua comunidade não só o permite fazer como o impele envolver-se positivamente nela.
Qual é a sua «causa», aquela por que está disposto a «lutar» pacificamente?
Participar ativamente na construção de uma sociedade mais justa, ética, equitativa e compassiva — através do voluntariado transformador (causas socias, ambientais, educativas, animais, religiosas, saúde,…) entre outras formas de intervenção — permitirá concretizar um propósito de vida de alcance mais amplo. Trata-se de deixar uma marca positiva, única e irrepetível, nos lugares por onde passamos e na vida das pessoas com quem nos cruzamos.
Convém referir, como salienta o Dr. José Luis Carrasco, que o facto de tudo correr bem na vida de uma pessoa não significa, necessariamente, que esta goze de saúde mental. Do mesmo modo, ter saúde mental não implica, por si só, sentir-se feliz. A saúde mental não depende exclusivamente das circunstâncias externas, tal como a felicidade não é uma consequência automática do equilíbrio mental.
E o que tem o Coaching a ver com a promoção da saúde mental? Tudo!
Embora o Coaching não seja Psiquiatria, Psicologia, Terapia ou Aconselhamento, entre outras áreas de intervenção, os efeitos de um processo de Coaching podem, em determinadas circunstâncias, ser vividos como “terapêuticos”. Enquanto ferramenta de desenvolvimento pessoal consciente e orientada para o futuro, o Coaching pode promover a construção de novos «mapas mentais», suscetíveis de conduzir a ações/emoções positivas e evolutivas. Afinal, somos muito mais do que um conjunto de neurotransmissores e hormonas em constante atividade ou uma mera cadeia de ADN, condicionados de forma determinista! Temos vontade própria, entusiasmo, causas e sonhos. Temos Vida para ser vivida! E esta, é mais que saúde mental. É felicidade.
Através da prática do Coaching, e em complementaridade com a intervenção de especialistas de saúde mental, é possível delinear o seu Projeto de Vida para não cair num “vazio existencial” e assim encontrar um sentido e propósito para a sua existência e uma perceção superior de felicidade.
(Nota: Para ajuda especializada pode recorrer à linha Nacional de Prevenção de Suicídio e Ajuda Psicológica nº 1411).
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