JCBarbosa Final
"Uma viagem de sonho e, ao mesmo tempo, um sonho realizado para qualquer apaixonado por comboios", escreveu José Carlos Barbosa

Depois de o IMEDIATO ter acompanhado o arranque da grande aventura de José Carlos Barbosa, a travessia exclusiva sobre carris chegou ao fim na capital chinesa. Foram 26 etapas, 9 países e 177 horas nos carris a cumprir um sonho de vida.

O Balanço Final da Aventura

  • 13.600 km de ferrovia

  • ? 177 horas em comboios

  • 26 etapas em 9 países

  • ? 1.064 € em bilhetes ferroviários

  • Orçamento total: Abaixo dos 2.500 €

Está concluída a grande viagem. José Carlos Barbosa alcançou Pequim, na China, colocando ponto final na odisseia ferroviária iniciada na Estação de Paredes, realizada exclusivamente sobre carris. No total, foram 13.600 quilómetros percorridos ao longo de 26 etapas, num acumulado de aproximadamente 177 horas a bordo de comboios e com um custo direto em bilhetes ferroviários de cerca de 1.064 euros.

O itinerário concluído através de 9 países:

Portugal – Espanha – França – Alemanha – Polónia – Bielorrússia – Rússia – Mongólia – China

Questionado pelo amigo Eduardo Guimarães sobre se esta foi “uma viagem de sonho ou o sonho de uma viagem realizado”, o viajante paredense não hesitou na resposta:

“A resposta é simples: as duas coisas. Uma viagem de sonho e, ao mesmo tempo, um sonho realizado para qualquer apaixonado por comboios.”

A paixão de infância que começou na linha e culminou em Pequim

Conforme o IMEDIATO noticiou na reportagem que assinalou os primeiros dias do percurso, a paixão de José Carlos Barbosa pelos comboios vem desde os quatro ou cinco anos, nas deslocações para o Porto com a mãe, e fortaleceu-se na adolescência a bordo do histórico “comboio especial de praias”, que descia da Régua com as carruagens Schindler rumo a Espinho.

Engenheiro, deputado na Assembleia da República e antigo diretor executivo da Unidade de Manutenção e Engenharia da Comboios de Portugal (CP), Barbosa fez questão de manter Paredes como o ponto de partida inegociável — uma afirmação de orgulho territorial em vez de optar pela via mais rápida de apanhar um avião para a Europa de Leste.

A travessia combinou o espírito de improviso — com o passe Interrail comprado no telemóvel na estação e a bagagem preparada na véspera — com momentos de forte exigência geopolítica, como as sete horas de rigorosa inspeção na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia.

“A ferrovia não é apenas transportes, é desenvolvimento económico”

A experiência no terreno reforçou as convicções de José Carlos Barbosa quanto ao valor estratégico do investimento em infraestruturas ferroviárias, destacando o exemplo de países como a Polónia na modernização da rede e da frota.

“Esta viagem reforçou uma convicção que já tinha: o comboio não é apenas um meio de transporte, é um instrumento de desenvolvimento. Em todos os países por onde passei, a ferrovia liga pessoas, aproxima regiões, reduz custos e cria oportunidades. Gostava de ver Portugal apostar de forma mais ambiciosa na ferrovia: mais capacidade, mais material circulante, melhores ligações regionais e a concretização da alta velocidade entre Vigo, Porto e Lisboa”, enfatizou.

Visita à maior fábrica de comboios do mundo antes do regresso

Embora a travessia Paredes-Pequim esteja formalmente terminada, a aventura ferroviária em solo asiático ainda não acabou. Nos próximos dias, José Carlos Barbosa promete publicar o vídeo das últimas duas etapas do percurso, atrasado devido às limitações de acesso à internet na região.

Antes de empreender a viagem de regresso a Portugal, o paredense vai realizar mais alguns quilómetros de comboio pela China e aproveitará para visitar a maior fábrica de comboios do mundo.

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