Escritaria26 AR
Pedro Cepeda, presidente da Câmara de Penafiel, não tem dúvidas de que "a Escritaria tem sido um instrumento de promoção territorial de Penafiel e do país".

A Biblioteca da Assembleia da República, em Lisboa, acolheu a apresentação oficial da 19.ª edição do Escritaria, o festival que anualmente transforma Penafiel para celebrar a vida e a obra de um grande nome da literatura de língua portuguesa. Este ano, o grande homenageado será o escritor timorense Luís Cardoso, numa edição que decorrerá entre os dias 20 e 25 de outubro.

A escolha da Assembleia da República para a apresentação não foi ao acaso: por a obra de Luís Cardoso ser um símbolo vivo de liberdade, a organização considerou que a “casa da democracia” seria o cenário ideal para este anúncio, marcando também a primeira vez que o festival é apresentado fora do território municipal de Penafiel.

Um festival sem portas que cruza fronteiras

Consolidado como um dos encontros literários mais importantes do país, o Escritaria tem vindo a expandir-se além-fronteiras. Recentemente, ganhou uma dimensão internacional com ações noutras geografias lusófonas, nomeadamente no Brasil, Cabo Verde e Angola.

Antonino de Sousa, Comissário para a Internacionalização do Escritaria, e o Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Pedro Cepeda destacaram o papel do evento enquanto motor de promoção territorial de Penafiel e de Portugal, bem como o seu forte impacto pedagógico, uma vez que os autores homenageados visitam as escolas locais.

A organização sublinha que o Escritaria não se limita a um debate fechado numa sala: durante o festival, a cidade de Penafiel “veste-se” literalmente em homenagem ao autor, envolvendo toda a comunidade e os milhares de visitantes que ali se deslocam.

“Espero corresponder a expectativas tão grandes”

A escolha de Luís Cardoso para esta 19.ª edição foi consensual. A sua seleção reveste-se de particular importância por assinalar e consolidar a presença do Escritaria em Timor-Leste, celebrando um autor com uma obra literária riquíssima e amplamente reconhecida.

Visivelmente emocionado durante a apresentação em Lisboa, Luís Cardoso confessou o seu espanto ao receber o convite e partilhou a sua postura de enorme humildade perante o tributo:

“Fiquei sem palavras quando recebi o telefonema a dizer que eu era o homenageado deste ano. Sou uma pessoa simples e não sou ninguém à beira dos outros homenageados. Só tenho de fazer uma literatura fantástica da história do meu país, da sua luta, e faço parte deste grupo de escritores que hoje trabalham para criar uma literatura fantástica de Timor.

Sinto-me tão pequeno porque sou uma pessoa muito pequena, que vive do essencial e não precisa de mais nada para viver.”

O escritor aproveitou ainda para elogiar a juventude e o dinamismo do executivo municipal de Penafiel, traçando um paralelo com Timor-Leste, onde também se debate a renovação da classe política. Luís Cardoso manifestou o desejo de que a sua presença ajude a estreitar os laços de cooperação e amizade entre Penafiel e a comunidade timorense.

Antecipando o ambiente caloroso que o espera em outubro, o autor não escondeu a sua sensibilidade: “Eu vou chorar, tenho a certeza. Não sei se terei arcaboiço para aguentar isso.”

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