Talvez o título que sugere o tema deste texto, não seja o mais original, o mais esperado também… Vive-se, trabalha-se, enfrentam-se os dias que passam, tantas vezes indiferentes, já que as marcas deixadas por esses dias não chegam a ser apreciadas porque não foram verdadeiramente vividas…
Isto e muito mais, tem a ver com a sugestão para a vida, deixada por um livro que também li há muitos, muitos anos, com o filme, adaptado do livro, que vi há muitos anos e agora, no presente, com a adaptação ao teatro desse texto fabuloso… Refiro-me, naturalmente, ao “Clube dos Poetas Mortos”, já em exibição em Lisboa, agora nessa nova modalidade de texto. Que hei-de querer ver, naturalmente…
Vivia-se no Outono de 1959 e, à Academia Welton, chega John Keating, um novo professor de Inglês que traz consigo novos métodos pedagógicos e uma visão muito liberal do ensino e da vida. Apresenta e ajuda a praticar o conceito de “Carpe Diem” (aproveita o dia) e procura usar a poesia como meio para despertar a sensibilidade de cada um. O professor Keating encoraja os seus alunos a pensarem por si mesmos e a viverem uma vida plena, inspiradora, sobretudo uma vida verdadeira, sempre ligada à natureza de cada um…
Naturalmente, esse novo método de ensino vai chocar com a atitude bem mais tradicional do Reitor da Escola e, acima de tudo, vai conseguir lidar com a reacção dos seus alunos. Cedo, o professor de Inglês, Keating, começa a abrir os espíritos dos jovens e, dia a dia, aula a aula, a expressão latina começará a ser entendida e praticada. “Colhe os botões de rosa enquanto podes”, repetia Keating e, dia a dia, passo a passo, sempre a tentativa de ensinar a pensarem por eles mesmos. Para que cada jovem aluno possa sugar o tutano da vida… aprendendo a ver poesia em tudo o que nos rodeia… O amor, a beleza, a verdade, a justiça… a ideia clara de não haver necessidade de limitar a poesia à palavra e para que cada coisa contenha uma revelação. Paralelamente, o gesto de deitar fora o que não presta, aqui, rasgando as páginas dos livros que não servem e devem ser desperdiçadas…
Tudo isto está no livro, está no filme e poucas falas guardarão um impacto tão forte como aquele em que, na despedida do professor inspirador, alguns alunos se coloquem de pé nas carteiras e desafiem as ordens do director conservador!
Não posso descrever aqui tudo o que gostaria mas quero sublinhar o facto de um professor especial, ousar cativar os seus alunos para a poesia, para o livre pensamento e para o famoso “Carpe Diem”, afinal…
Quantas vezes, ao longo da minha actividade lectiva, recordei o prof. Keating e, como ele, tentei ajustar matérias, tentei eliminar assuntos nada interessantes, nada motivadores para os alunos? Quantas vezes me surgiu a proposta de mandar arrancar páginas sem qualquer interesse para a formação dos alunos?
Quanto me esforcei para fazer gostar de poesia, sobretudo aquela que parecia difícil? Obrigada, prof. Keating!
É certo que esta nova adaptação do livro, agora ao teatro, poderá ter limitações: o cenário será menor, haverá, de certeza, menos personagens, poderá parecer bem distante dos tempos que vivemos, mas o conteúdo essencial e mais forte estará lá! Hoje, a liberdade de pensamento, parecendo o contrário, continua ameaçada, assim, acredito, esta nova peça de teatro adaptada de ” O clube dos Poetas Mortos”, ainda poderá ajudar professores e alunos, desafiando-os, ajudando-os a pensarem, a colocarem-se no lugar que querem ocupar… E como querem aprender… No livro, no filme, agora no teatro, quando os alunos se levantam no fim, fazem-no por alguém que está doente, mas, sobretudo, porque querem agradecer… E esse gesto revela um enorme reconhecimento!


