Análise da Pordata revela que os portugueses têm a 5.ª maior carga horária semanal da União Europeia (39,7 horas), enquanto os salários permanecem significativamente abaixo da média comunitária.
Portugal consolidou a sua posição como um dos países da União Europeia (UE) com horários de trabalho mais extensos. Segundo um retrato estatístico da Pordata, baseado em dados do Eurostat de 2025, a média semanal de trabalho em Portugal fixou-se nas 39,7 horas, superando largamente a média europeia de 37 horas.
Neste indicador, Portugal é apenas ultrapassado pela Grécia (41h), Polónia (40h), Roménia (40h) e Bulgária (39,9h). Em sentido oposto, países como os Países Baixos (31,5h) e a Alemanha (34,8h) registam as cargas horárias mais baixas, impulsionadas por uma maior prevalência de trabalho a tempo parcial.
O fosso salarial e a precariedade
Apesar da elevada carga horária, a compensação financeira em Portugal continua distante da realidade europeia. Em 2024, o salário médio ajustado a tempo completo em Portugal era de 2.068,2 euros, um valor substancialmente inferior aos 3.317,3 euros registados na média dos 27 Estados-membros.
A precariedade é outro dos pontos críticos destacados pelo estudo:
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Contratos Temporários: Portugal regista uma taxa de 15,1%, acima da média europeia (13%).
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Jovens: Entre os trabalhadores com menos de 30 anos, quase 40% têm vínculos precários, colocando o país como o 4.º com mais trabalho temporário nesta faixa etária.
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Estrangeiros: A disparidade é ainda mais flagrante, com 34% dos trabalhadores estrangeiros em situação temporária, face a 14% dos nacionais.
Tempo parcial pouco expressivo
Ao contrário do Norte da Europa, o trabalho a tempo parcial tem pouca expressão no mercado laboral português. Apenas 8,1% dos trabalhadores em Portugal seguem este regime, menos de metade da média da UE (18,8%) e a uma distância abismal dos Países Baixos, onde a taxa atinge os 43,8%.
Retrato do Mercado em Números (2025/2026):
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População Empregada: Mais de 5 milhões de trabalhadores em Portugal.
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Salário Mínimo Nacional: 920€ brutos em 2026 (1.015€ mensais em 2025, considerando 14 meses).
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Trabalho por conta própria: 14,7% (alinhado com a média europeia de 13,7%).
Este relatório da Fundação Francisco Manuel dos Santos, publicado a propósito do Dia do Trabalhador, reforça o diagnóstico de um mercado de trabalho marcado por “elevada dedicação horária”, mas condicionado por baixos salários e uma instabilidade contratual que afeta sobretudo as camadas mais jovens e a população imigrante.


