No último ano, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) reforçou em 24% o apoio social direto e financiou 38 bolsas de investigação. Presidente Vítor Veloso destaca o papel vital da sociedade civil no crescimento da instituição.
A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) assinalou esta sexta-feira o seu 85.º aniversário com um balanço de atividade marcado pelo crescimento robusto em todas as frentes de atuação. Em 2025, a instituição prestou apoio direto a 25.200 doentes oncológicos, consolidando-se como o principal pilar de suporte não hospitalar em Portugal.
A cerimónia comemorativa, realizada no Centro Cultural de Belém, contou com a presença da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e de figuras cimeiras do setor da saúde e investigação nacional.
Investimento social e científico em máximos históricos
O relatório de atividades de 2025 revela um esforço financeiro sem precedentes. A LPCC disponibilizou mais de 2,2 milhões de euros em apoios diretos — incluindo medicamentos, próteses, transporte e alimentação —, o que representa um aumento de 24% face ao ano anterior.
No campo da ciência, a aposta foi ainda mais expressiva:
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Investigação e Formação: O investimento duplicou para 700 mil euros.
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Bolsas: Financiamento de 38 bolsas de investigação e apoio a quatro centros de referência.
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Capacitação: Formação técnica ministrada a 1.810 profissionais de saúde.
“Esta missão só é possível graças ao contributo de colaboradores, voluntários e à generosidade da sociedade civil. Cada contribuição é fundamental para estarmos ao lado de quem mais precisa”, afirmou Vítor Veloso, Presidente da LPCC.
Uma resposta integrada: da prevenção ao apoio psicológico
Para além do apoio material, a Liga expandiu a sua rede de cuidados especializados. No último ano, foram realizadas mais de 21.300 consultas gratuitas de psico-oncologia, abrangendo cerca de 3.700 doentes.
No âmbito da prevenção e diagnóstico precoce, os números reforçam a capilaridade da instituição:
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14.537 consultas de diagnóstico precoce (cancro oral e de pele).
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8.200 doentes acompanhados em centros de dia.
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6.000 contactos processados através das Linhas Cancro e Pulmão.
O funcionamento desta estrutura assenta numa base sólida de voluntariado, que em 2025 contou com o empenho de 21.700 voluntários em todo o país.
O futuro da Oncologia em debate
A cerimónia no CCB serviu também para refletir sobre os desafios futuros. O médico e investigador Manuel Sobrinho Simões foi um dos oradores principais, sublinhando a necessidade crítica de articular a inovação científica com a prática clínica diária.
O evento reuniu ainda representantes do Instituto Português de Oncologia (IPO), da Direção-Geral da Saúde (DGS), do INFARMED, da Fundação Champalimaud e do i3S/IPATIMUP, num sinal de união institucional em torno da luta contra o cancro.
Vítor Veloso encerrou a sessão reafirmando o compromisso da LPCC em adaptar-se a um contexto de “crescente complexidade”, garantindo que a instituição continuará a ser a voz dos direitos dos doentes e sobreviventes perante as entidades competentes.

