“Jogava futebol, mas desde que me magoei no joelho, parei.” “Gostava de correr, mas a dor no joelho não me deixa.” “Sempre que vou ao padel, no dia seguinte acordo com o joelho inchado.”
Estas frases repetem-se nas consultas de Ortopedia e refletem uma realidade comum: o medo da dor ou de agravar a lesão que leva muitos praticantes a reduzir ou abandonar a atividade desportiva, o que acaba, frequentemente, por agravar o problema.
O Dia Mundial da Atividade Física, assinalado a 6 de abril, é uma boa oportunidade para lembrar que quem pratica desporto com regularidade vive mais, melhor e mais feliz. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a prática frequente de exercício reduz o risco de morte prematura em cerca de 30 a 34% e melhora a saúde cardiovascular e mental.
O joelho é uma das articulações mais exigidas no desporto. Estudos indicam que os problemas associados a esta articulação representam cerca de 40% das lesões relacionadas à prática desportiva, nomeadamente ao nível do menisco, dos ligamentos ou da cartilagem.
A boa notícia é que a Ortopedia moderna não visa restringir o movimento, mas sim criar condições para retomar o desporto com confiança. Na maioria dos casos, o tratamento inicial é conservador: fisioterapia especializada, adaptação temporária da atividade (por exemplo, substituir impactos por bicicleta ou natação), medicação e, quando indicado, infiltrações ou terapias como os ortobiológicos, que estimulam a recuperação natural dos tecidos. Muitos doentes regressam ao nível anterior sem precisar de cirurgia.
Quando a intervenção cirúrgica é necessária, privilegiamos técnicas minimamente invasivas, como a artroscopia, feita com pequenas incisões, que permite uma reparação precisa e uma recuperação acelerada. Com a reabilitação adequada, as taxas de regresso ao desporto após uma reconstrução do ligamento cruzado anterior rondam os 80%, sendo ainda mais elevadas em lesões do menisco.
O que faz a diferença é a especialização. Um diagnóstico preciso e um plano personalizado, envolvendo um ortopedista especializado em lesões do joelho e equipas multidisciplinares, evitam complicações como o desgaste precoce da cartilagem.
Na prática diária, vemos cada vez mais pessoas a voltarem ao desporto sem limitações, porque o foco, hoje, está em adaptar e fortalecer, e não em proibir.
Neste Dia Mundial da Atividade Física, a mensagem é muito clara: não se resigne à dor. Procure acompanhamento especializado e mantenha-se ativo, porque o movimento é, sem dúvida, o melhor remédio.
Pedro Ferreira Pereira, ortopedista no Hospital CUF Arrifana de Sousa e na Clínica CUF Marco de Canaveses

