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Humberto Brito na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação a pedido do Partido Socialista

Numa intervenção incisiva na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, o deputado Humberto Brito (PS) confrontou o Governo sobre o futuro da Linha do Vale do Sousa. O parlamentar, antigo autarca de Paços de Ferreira, não poupou críticas à gestão da Aliança Democrática (AD), afirmando que o projeto foi “metido na gaveta” apesar de ser um investimento estratégico para a coesão territorial do Norte.

“30 mil empresas e 350 mil pessoas”

Para Humberto Brito, a viabilidade da linha não é apenas técnica, mas social e económica. “Estamos a falar de cerca de 350 mil pessoas que poderão ser servidas por esta linha e de mais de 30 mil empresas”, sublinhou, destacando o impacto direto na criação de riqueza e na fixação de jovens através da ligação aos polos universitários do Porto.

O deputado sugeriu que o aparente desinteresse do Governo se deve ao facto de o projeto ser liderado por autarcas socialistas na região. “Foram cinco municípios do Partido Socialista a liderar este projeto e é isso que deve estar a desagradar ao atual Governo”, disparou.


O Mapa da Linha: Os Municípios da CIM Tâmega e Sousa

A intervenção de Humberto Brito incidiu sobre o eixo central da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, que agrega 11 concelhos, mas o traçado ferroviário foca-se especificamente na sub-região do Vale do Sousa.

Os municípios diretamente visados no traçado da futura linha são:

  • Felgueiras: O polo industrial do calçado.

  • Lousada: Fortemente ligado ao setor têxtil.

  • Paços de Ferreira: Conhecida como a “Capital do Móvel”.

  • Paredes: Também central na indústria do mobiliário e parte integrante da Área Metropolitana do Porto.

  • Valongo: O ponto de ligação crucial à rede ferroviária nacional existente.


Ponto de Situação em Março de 2026: Onde está o comboio?

Apesar da convicção manifestada por Humberto Brito em anos anteriores de que a linha estaria no terreno até 2030, o cenário em março de 2026 é marcado pela incerteza política.

  1. Estudos de Viabilidade: Em fevereiro de 2024, a Infraestruturas de Portugal (IP) adjudicou os estudos de viabilidade técnica e ambiental com um prazo de 285 dias. Em 2026, as conclusões destes estudos e a sua validação pelo atual Governo são o principal ponto de discórdia no Parlamento.

  2. Plano Nacional de Investimentos (PNI 2030): O projeto está inscrito no PNI 2030, mas o deputado acusa o Executivo de não dar prioridade à sua execução orçamental.

  3. Investimento Estimado: Os últimos dados apontam para um investimento de cerca de 181 milhões de euros para a infraestrutura, acrescidos de 27 milhões para material circulante.

  4. Meta de Tempo: Se concretizada, a linha permitirá ligar Felgueiras ao Porto em apenas 51 minutos, reduzindo drasticamente os tempos de deslocação atuais.

Humberto Brito concluiu a sua intervenção reafirmando que a CIM do Tâmega e Sousa, liderada por Nuno Fonseca, não deixará o projeto cair no esquecimento, apelando a que o Governo assuma a “necessidade imperiosa” da obra para evitar que a região continue a apresentar indicadores de desenvolvimento abaixo da média nacional.

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