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Artigo de opinião por: Ricardo Pereira
O Secretariado do PS de Paços de Ferreira, liderado por Humberto Brito, reagiu à renúncia de Jocelino Moreira com clareza: há decisões que são “opções pessoais”, mas o que conta é a “responsabilidade institucional”; e a “estabilidade dos órgãos autárquicos” deve prevalecer sobre qualquer “gesto unilateral”. Porém, o mesmo Humberto Brito não agiu assim quando renunciou ao seu mandato de Presidente da Câmara.

No comunicado, a concelhia defende que “não existia qualquer incompatibilidade legal” na nomeação e atribui a saída de Jocelino a “pressão sem fundamento legal”. No plano político, acrescenta que as “opções pessoais” não se confundem com “responsabilidade institucional” e que a “estabilidade” deve ficar “acima de qualquer gesto unilateral”.

A sequência noticiosa é clara: Jocelino anunciou a renúncia no domingo, 22/03; a decisão foi noticiada no dia 23. Hoje (23/03), o PSD “quebrou o silêncio” e pediu que se esclarecesse “quem solicitou o parecer” à CCDR-N — um ponto de transparência que permanece por esclarecer e que pode revelar a origem deste furacão na política local.

Quando estas declarações são publicadas, o Secretariado fala sob a liderança de Humberto Brito, eleito presidente da Comissão Política Concelhia do PS em julho de 2024. O mesmo político que, depois de ter suspendido o mandato autárquico em abril de 2025, foi eleito deputado à Assembleia da República e, consequentemente, renunciou ao mandato de Presidente da Câmara, declarando sentir-se “muito honrado”.

E aqui surge a incoerência: em todo este registo público local, o Presidente da Comissão Política Concelhia do PS nunca aplicou a Humberto Brito as expressões “gesto unilateral”, nem contrapôs “opção pessoal” a “responsabilidade institucional”. Mesmo que o plano jurídico seja diferente, politicamente os casos são similares: em ambos há uma mudança a meio do ciclo, com efeitos na estabilidade.

A diferença é esta: no caso de Jocelino, o PS concelhio usa hoje a linguagem “opções pessoais” versus “responsabilidade institucional” e “gesto unilateral”; no caso de Humberto, em 2025, não usou essa bitola nem essas palavras na narrativa pública local. A acrescentar a esta incoerência do PS entre Humberto Brito, que renunciou à presidência da Câmara, e Jocelino Moreira, que renunciou à presidência da Junta de Freguesia, surge agora o PSD (23/03/2026) a pedir que se levante o véu e se esclareça “quem solicitou o parecer” à CCDR-N, quando e com que objetivo.

Em conclusão, o PS concelhio escreveu que a “responsabilidade institucional” e a “estabilidade dos órgãos” não podem ser reféns de “gestos unilaterais”. Todavia, esta bitola, usada pelo PS para medir o caso Jocelino Moreira, não foi a bitola usada para medir o caso de Humberto Brito.

O resto são palavras.

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