Não que o tenha querido, mas a vida tem-me obrigado a conviver de perto com a morte. A morte significa perda e sempre uma perda irreparável.
Não quero falar de mim, porque me é doloroso, mas falarei de nós, enquanto sociedade. Estamos no limiar de perdermos a democracia e essa perda, a acontecer, seria irreparável.
Estamos sujeitos a perdê-la na demagogia de um alegado combate à corrupção, em si mesmo inquinado, já que o seu proponente é, podemos dizê-lo, o expoente dessa corrupção. O partido “chega” é, sabemo-lo bem das notícias, um viveiro de comprovados corruptos. Do furto ao peculato, passando pelo abuso sexual e pela pedofilia, não há nada que aqueles autoproclamados defensores da “moral” e dos “bons costumes” não tenham experimentado!
Ao séquito de disfuncionais cognitivos, mais vulgarmente chamados “nabos” e “batatas”, o partido tem vindo a adicionar amorais e arrivistas, “desvalidos” do psd e do ps, que ali encontram albergue e tacho. Mesmo aqueles que não têm habilitações ou são comprovadamente incompetentes, são bem-aventurados na aquisição de tachos!
Mas, claro, isto, não é, não pode ser corrupção, já que fica tudo benzido! As bênçãos vão desde a água benta do bispo do BMW, quero dizer o bispo de Setúbal, aos diálogos que Deus Nosso Senhor mantém com o Ventura, antigo seminarista. O pastor Ventura, que afirma ter falado com Deus, o que não é para qualquer um, diz também que Deus lhe teria confiado o desígnio de “mudar” Portugal!!!
Eu que, não tendo sido seminarista, andei na catequese – quem percebe do artigo, vê logo que sou meio padreco – consigo lembrar-me de que um dos Mandamentos da Lei de Deus era o de não invocar o Santo Nome de Deus em vão! O pastor Ventura que, note-se, não sabe os Mandamentos da Lei de Deus, sabe, ainda assim, fazer milagres. Treinado na sanha milagreira, apagou fogos no Verão passado apenas com um singelo raminho. A senda dos milagres prosseguiu agora com a multiplicação das garrafas de água do Luso e das latas de atum! Acho que Jesus tem de se pôr à tabela com a concorrência!
Apesar das alegadas “confidências” divinas, todos sabemos quem lhe encomendou “mudar” Portugal. Os desígnios dos seus mandantes passam pela cada vez maior transferência dos rendimentos do trabalho para o capital e pela implantação de um regime neo-esclavagista, de condicionamento e erradicação dos direitos laborais, pela morte da democracia e dos direitos sociais conquistados com o 25 de Abril e pelo regresso de uma ditadura.
Por tudo isso e por muito mais, é imperativo votar no próximo domingo, votar contra o fascismo e contra os fascistas!


