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Nuno Brochado, presidente da Associação Empresarial de Penafiel

O Concelho de Penafiel volta a ser a capital da gastronomia com o regresso do “PETISCANDO”, agora rebatizado como Roteiro Gastronómico “PETISCANDO”. A 7.ª edição da iniciativa, organizada pela Associação Empresarial de Penafi el (AEP) em parceria com a Câmara Municipal de Penafi el arrancou no passado dia 23 de outubro e prolonga-se até 8 de novembro.

Com o objetivo de dinamizar a restauração local e atrair residentes e visitantes, o evento apresenta este ano a sua maior adesão de sempre, reunindo um número recorde de restaurantes e uma representação alargada de várias freguesias do concelho.

Em entrevista ao Jornal IMEDIATO, Nuno Brochado, presidente da AEP, falou das novidades do evento nesta sua sétima edição e da importância que este representa para o setor da restauração no concelho.

– O “Petiscando” chega à 7.ª edição. O que explica o sucesso e a longevidade desta iniciativa?

Penso que o principal segredo está na ligação que o Petiscando conseguiu criar entre os nossos empresários da restauração, o público e o próprio território. Ao longo das várias edições foi ganhando identidade e tornando-se uma iniciativa reconhecida, que cria um motivo para as pessoas saírem, experimentarem novos espaços e descobrirem diferentes propostas gastronómicas no concelho.

Chegar à 7.ª edição é naturalmente motivo de satisfação, mas entendemos que a longevidade de um evento depende também da sua capacidade de se renovar. Este ano decidimos dar um passo importante nessa evolução, alterando o próprio conceito e procurando torná-lo mais dinâmico, mais participativo e mais orientado para a descoberta.

O facto de esta edição contar com a maior adesão de restaurantes de sempre e com uma representação mais alargada de várias freguesias é também um sinal muito positivo. Mostra que os empresários continuam a acreditar na iniciativa e que há espaço para o Petiscando continuar a crescer.

– Quais são as principais novidades deste ano e o que motivou essas alterações?

A principal novidade é uma mudança de filosofia. O Petiscando deixa de ser apresentado como um concurso gastronómico e passa a assumir-se verdadeiramente como um Roteiro Gastronómico.

Queremos retirar algum peso à componente competitiva e colocar o foco naquilo que consideramos mais importante: levar as pessoas aos estabelecimentos, fazê-las descobrir novas propostas, conhecer diferentes espaços e percorrer o concelho através da gastronomia.

Nesse sentido, eliminámos também a avaliação do júri. A escolha dos melhores petiscos passa a ser feita exclusivamente pelo público. Encurtámos ainda a duração da iniciativa em 15 dias, concentrando-a entre 23 de outubro e 8 de novembro, e mantemos uma componente digital importante, quer através da votação, quer através do Passaporte Gastronómico Digital.

Estas alterações não surgiram por acaso. Resultam da experiência acumulada das edições anteriores e também da auscultação aos próprios empresários. Entendemos que, depois de seis edições, era o momento certo para renovar o formato sem perder a identidade que o Petiscando já conquistou.

– A redução da duração do evento para 15 dias poderá trazer mais dinâmica ao roteiro?

Foi precisamente esse o objetivo quando decidimos encurtar a duração do evento em 15 dias e concentrar esta edição entre 23 de outubro e 8 de novembro.

Quando uma iniciativa se prolonga durante demasiado tempo existe o risco de perder alguma intensidade. Queremos que durante este período se fale do Petiscando, que as pessoas combinem entre si quais os espaços que vão visitar e que sintam vontade de experimentar várias propostas antes de o roteiro terminar.

Também para os estabelecimentos acreditamos que será positivo. Permite concentrar o esforço, a comunicação e a apresentação dos petiscos num período mais intenso. Queremos criar uma verdadeira sensação de acontecimento.

– Que impacto tem tido o “Petiscando” nos estabelecimentos aderentes ao longo dos anos?

O principal impacto é a visibilidade e a capacidade de levar novos clientes aos estabelecimentos. E esse é talvez o resultado mais interessante do Petiscando: criar uma razão para alguém entrar pela primeira vez num estabelecimento que já conhecia de nome, mas que nunca tinha visitado.

Temos, inclusivamente, testemunhos de participantes de edições anteriores que identificaram aumento da procura durante o Petiscando e, mais importante ainda, que conseguiram transformar algumas dessas primeiras visitas em clientes habituais.

Depois existe um efeito coletivo. Durante algumas semanas não estamos a promover apenas um restaurante, estamos a colocar a restauração de Penafiel no centro da comunicação. Todos beneficiam dessa dinâmica e dessa capacidade de atrair pessoas para o concelho.

– O novo sistema de votação coloca a decisão nas mãos do público. O que esperam desta mudança?

Esperamos sobretudo uma participação ainda maior das pessoas.

Ao eliminarmos a avaliação do júri e entregarmos a decisão exclusivamente ao público, estamos a tornar a iniciativa mais coerente com o novo conceito de roteiro. São os clientes que entram nos estabelecimentos, provam os petiscos, contactam com as equipas e vivem toda a experiência. Faz sentido que sejam eles a avaliar.

Há também aqui uma vontade de aproximar ainda mais o público do evento. Quem participa deixa de ser apenas alguém que vai provar um petisco. Passa também a ter uma palavra na escolha dos vencedores e pode, através do Passaporte Gastronómico Digital, ser incentivado a continuar o roteiro e a visitar outros estabelecimentos.

Continuamos naturalmente a reconhecer as melhores propostas, mas queremos que a competição seja uma consequência do roteiro e não a razão principal para ele existir.

– Qual a importância deste evento na promoção turística e gastronómica de Penafiel?

A gastronomia é uma das grandes marcas do nosso território e acredito que ainda temos muito potencial para a utilizar como elemento de promoção turística.

Hoje, quem visita um território procura muito mais do que monumentos ou paisagens. Procura experiências, produtos locais, histórias, gastronomia e, naturalmente, a forma como é recebido. E Penafiel tem muito para oferecer em todas essas dimensões.

É também por isso que quisemos reforçar a ideia de Roteiro Gastronómico. Queremos que o Petiscando seja um convite para descobrir Penafiel através dos seus sabores, levando as pessoas a circular pelo concelho, a conhecer diferentes estabelecimentos e, eventualmente, a descobrir outros motivos para regressar.

Mais do que uma competição, queremos uma experiência de descoberta, convívio e valorização do território.

– Que desafios enfrenta atualmente o setor da restauração no concelho?

São vários. Os empresários continuam confrontados com custos elevados de funcionamento, matérias-primas, energia e encargos com recursos humanos. Ao mesmo tempo existe uma enorme pressão sobre as margens. A dificuldade de encontrar e reter trabalhadores continua também a ser uma preocupação importante no setor.

Por outro lado, temos um consumidor mais informado e exigente e, naturalmente, também mais atento ao preço. Hoje não basta servir bem. É preciso ter qualidade, diferenciar-se, comunicar, criar uma boa experiência e conseguir fidelizar o cliente.

São desafios exigentes, sobretudo para pequenas empresas. Enquanto Associação Empresarial temos de estar próximos, ouvir os empresários e procurar criar ferramentas e iniciativas que possam ajudar. O Petiscando é uma delas, mas naturalmente o nosso trabalho com o setor não se esgota neste evento.

– Que convite deixa aos visitantes para participarem no roteiro gastronómico deste ano?

O convite é simples: venham descobrir Penafiel através dos seus sabores.

E diria até para não escolherem apenas um estabelecimento. Consultem o roteiro, juntem amigos ou família e aproveitem para experimentar várias propostas. Um dos objetivos desta nova dinâmica é precisamente criar vontade de percorrer o concelho e conhecer espaços onde, eventualmente, ainda nunca entraram.

Participem também na votação e no Passaporte Gastronómico Digital. Queremos que o público seja parte ativa desta edição. E, sobretudo, que cada petisco seja um convite a visitar, a saborear e a regressar a Penafiel.

– Num momento em que a restauração enfrenta vários desafios, iniciativas como o “Petiscando” podem fazer a diferença para os empresários locais? De que forma?

Podem fazer a diferença, embora seja importante sermos realistas: uma iniciativa como o Petiscando não resolve, por si só, os desafios estruturais da restauração.

O que pode fazer é criar movimento num determinado período, aumentar a visibilidade dos estabelecimentos, gerar novos clientes e colocar a restauração local no centro das atenções. E, para um empresário, conseguir que alguém entre pela primeira vez no seu estabelecimento já representa uma oportunidade.

A partir daí existe também o desafio do próprio empresário de transformar essa primeira visita numa segunda, numa terceira e, idealmente, num cliente habitual.

É esta a função que entendemos que a AEP deve desempenhar: criar oportunidades, promover os nossos empresários e contribuir para gerar atividade económica no concelho. O Petiscando é um bom exemplo disso e queremos que esta renovação do formato aumente ainda mais essa capacidade.

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