A corrida pela compra da Indaqua, a maior operadora privada de águas em Portugal, entrou na sua fase decisiva. O negócio, subiu para cerca de 1,3 mil milhões de euros e deverá ficar concluído até ao final de junho. A informação é avançada pelo Jornal Económico, segundo o qual a venda, atualmente sob a gestão da Antin Infrastructure Partners, está a atrair o interesse de gigantes financeiros mundiais devido à escassez de oportunidades de investimento em setores regulados de abastecimento de água na Europa.
Entre as concessões geridas pela Indaqua que estão no centro desta megaoperação internacional está o concelho de Paços de Ferreira, a par de outras sete autarquias de relevo: Santo Tirso/Trofa, Santa Maria da Feira, Matosinhos, Vila do Conde, Oliveira de Azeméis, Barcelos e Marco de Canaveses. No total, a operadora serve cerca de 1,5 milhões de pessoas entre Portugal e Angola.
A “Short-List” dos Candidatos Finais
A assessoria financeira da operação — liderada pelo Citi, Société Générale e Roland Berger — selecionou um grupo restrito de investidores para apresentar propostas vinculativas (binding offers). Embora o número oficial oscile entre quatro e cinco entidades, os nomes que avançam para a fase final são:
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Igneo Infrastructure Partners: Fundo que já detém fortes investimentos em Portugal, sendo o acionista majoritário da Finerge e proprietário da Autoestradas do Douro Litoral (AEDL).
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Manila Water Company: Concessionária privada filipina que procura a sua estreia em Portugal. O presidente da empresa, Enrique Razon, confirmou formalmente o interesse e a análise da proposta à Bloomberg.
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British Columbia Investment Management Corporation (BCI): Um dos maiores investidores institucionais do Canadá, responsável pela gestão de fundos de pensões públicos.
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Basalt Infrastructure Partners: Fundo de private equity britânico especializado em infraestruturas.
Gigantes que Ficaram Pelo Caminho
O elevado valor do negócio (que subiu face às estimativas iniciais de mil milhões de euros) e o nível de exigência da seleção ditaram a exclusão de vários candidatos de peso na fase de propostas não vinculativas.
Ficaram fora da corrida o fundo de infraestruturas do JP Morgan, a Morgan Stanley Infrastructure Partners, a espanhola Aqualia, a italiana Acea SpA e o consórcio internacional liderado pela gestora de pensões holandesa APG (acionista majoritária da Brisa) em parceria com o Interogo Group (ligado aos fundadores da Ikea).
Com o desfecho previsto para as próximas semanas, o futuro da gestão da água em Paços de Ferreira e nos restantes municípios da concessão passará a estar integrado num dos maiores portfólios de infraestruturas do panorama financeiro global.


