Abril / Poesia / Ranking / Geração / Saramago / Opinião: Notre-Dame / Memória / Música / As lágrimas da filha de Alexei… /Lusíadas / Agora / Optimista / Contas / Centenário / Fazer / Eleições / Livros / Evolução / Ingrato / Aqui / Professor / Rotina / Regresso; Leitura; Cravos; Lição, Vacinas, Cultura/ Professores
maxibroker

Hoje não é um dia fácil mas isso não conta porque o tema que escolho também não é simples, não é luminoso…

Depois de ver editados dois livros com as suas canções, surge um novo album de Pedro Abrunhosa, com novas referências à noite, ao amor, à luz… Um disco claramente nocturno mas cheio de esperança também. Isso transparece do título, “Inverbo”, que joga com o latim e que vem mostrar que é na palavra que o disco se impõe… Isso parece fácil de ver já que o segundo tema do disco deu título ao mais recém-lançado livro com todas as letras de Abrunhosa, até à data. Essa ideia da noite,posta no título, traz muito do escuro e da incerteza que o mundo actual carrega… Também por isso, gosto de P. Abrunhosa, dos seus concertos, das letras que faz, como as diz e isso foi um dos motivos porque assisti, pela terceira vez, ao espectáculo que proporcionou no Pavilhão Super Bock Arena, no Porto.

Desta vez, senti-me ainda mais motivada, já que precisava de encontrar a minha resposta à recente dúvida que o seu novo livro trouxe ao leitor: São mesmo poemas, o que escreve, Abrunhosa?

Começa aqui outra fase deste texto: o que escreve este autor, o que publicou em livro, o que iria cantar num longo concerto de mais de duas horas, são mesmo poemas?

Em paralelo, antecipadamente, li todo o livro, “Vem abrir a porta à noite” e, ouvindo, fui tentar confirmar… Em paralelo, li com a maior atenção o Prefácio de Lídia Jorge que me ajudou a chegar a uma quase conclusão… Não é propriamente uma novidade ou uma revolução, este disco… Abrunhosa, outra vez, caminha numa longa introspecção e isso pode complicar o leitor/ouvinte deste disco… Abrunhosa, outra vez, caminha numa longa introspecção e isso pode complicar o leitor/ouvinte deste disco… O disco, Inverbo, o livro que lhe está associado também, é ainda mais melancólico, mais reflexivo, talvez.

Abrunhosa apostou de novo na empatia, no profissionalismo e mesmo com uma sala gigante cheia, o público reagiu, de novo, apoiado numa forma de dizer as palavras, talhadas pelas características de uma voz diferente, rouca, densa… apoiada sempre no regresso à memória que o público não dispensa. Os 12 músicos fizeram o máximo que se pode esperar de um concerto!

E então, as letras, são poemas? Eu comovo-me sempre. O que diz, toca-me, comovo-me, isso ajuda a ver, a sentir poesia nos seus textos! Umas vezes, sinto lirismo poético no que diz, outras vezes, apoiada na confissão do sujeito poético que fala, que segue a música, parece-me que há lirismo puro e isso é mesmo poesia…

As palavras de Abrunhosa, compositor e autor de letras, falam de temas que parecem poéticos… Outras vezes, não! E há também, quase sempre, um tu, que podia não estar ali… Esse tu, presente ou ausente, tem também uma função, um tom confessional comum na poesia… Claro que há opiniões opostas quando o texto é literário e aqui, nem sempre é! Reticências e dúvidas à parte, o que mais conta é saber que um concerto onde o mundo e a vida estão presentes, onde há músicos fabulosos que acompanham o texto… o resultado tem de ser maior! Muitas vezes, é o som que faz o texto, não duvido disso. Mas serão ou não, poemas estas letras? Que cada um decida ou justifique como lhe convém. Afinal, isso interessa menos do que parece! Realmente, os textos são de meditação, de reflexão, de confissão pessoal… Há palavras que se impõem, há reflexões fabulosas, há palavras que prendem, que cativam. O som e a letra resultam em palavras cantadas, de confissão pessoal, de meditação, de pensamento e isso exige uma carga poética, naturalmente. As suas letras, poemas ou não, são sempre a lírica que a música suporta.

Subscreva a newsletter do Imediato

Assine nossa newsletter por e-mail e obtenha de forma regular a informação atualizada.


Deixe um comentário