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Diz-se que a “vida é curta” …

Será assim tão curta? Se pensarmos bem, a vida de um Ser Humano tem um tempo justo, adequado, parece-me até que a generalidade dos seres humanos recebe uma dose bem medida de vida.

Incomoda-nos é pensar que não poucas vezes o doseador que mede a vida é desonesto e volta e meia rouba na dose e o tempo de vida é-nos vilipendiado e subtraído. E nesses casos sentimos a injustiça e reclamamos com o todo poderoso provedor das vidas.

Mas não é sobre estas vidas que não se aproximaram de um culmino justo que falo, mas sim daquelas que no nosso contexto de desenvolvimento Europeu, se aproximam cada vez mais das nove décadas. E o encanto, é que as nossas vidas são polvilhadas com um incentivo precioso, que é o de nunca sabermos o momento, e esse estímulo permite-nos acreditar, que se calhar, fomos bafejados com a fortuna da vida eterna.

Este tempo que esperamos viver parece-me ser uma boa dose de vida; uma vida que se cumpra nos seus tempos, respeite os seus andamentos, que não se precipite, nem se atrase em demasia, uma vida com uma cadência dinâmica entre picos de alto rendimento e ócios apaziguadores. Uma vida que permita sermos nós a ditar esses ritmos e que não sejamos impelidos para frenéticas montanhas russas que nos engolem ou em sentido contrário, sejamos a contragosto, obrigados a abrandar quando desejaríamos bulir.

Temos de aproveitar a vida!… Esse estribilho que repetimos vezes sem conta;

Não tenho a receita, mas seguramente se a cada final de dia conseguirmos saborear o ócio, sem ansiedades e se o nosso repouso decorrer sem sobressaltos, é porque a vida se não aproveitada de acordo com a projeção utópica de felicidade dos dias de hoje, decorre ajustada ao nosso ritmo.

Percebemos que a vida é longa, quando, ainda que pouco tenhamos vivido e mesmo que disponhamos de uma memória prodigiosa, certamente mais é o que já esquecemos que aquilo que nos lembramos.

Poderíamos ter a sensação de uma vida curta se as nossas brincadeiras tivessem sido as mesmas que as dos nossos filhos; se aquilo que dispomos para comer fosse semelhante aos que os nossos pais dispuseram; se a forma como os nossos filhos comunicam se assemelhasse à maneira que dispúnhamos para comunicar quando tínhamos a idade deles; se a nossa liberdade e a nossa mobilidade se comparassem com a que os nossos pais tiveram.

A vida é curta?

Pensemos no absurdo incremento tecnológico que privilegiadamente assistimos.

Se a vida fosse curta, a moda não teria de repetir-se, as bocas de sino teriam ficado lá trás no tempo.

Se a vida fosse de facto curta, não teríamos tempo de assistir a repetições repugnantes de erros de políticas catastróficas em estados ditos desenvolvidos.

Verdade que dizemos muitas vezes que “a vida é curta”, mas parece sempre uma pequena frase de encorajamento para enfrentarmos os nossos medos, serve-nos como processo de remissão dos nossos pecados, ou então para justificar os erros que cometemos ou mesmo aqueles que estamos na iminência de cometer.

Verdade que a finitude é o evento mais inevitável e angustiante com que somos confrontados; queremos nunca expirar, mas certamente que perceção do fim é o maior estímulo para a superação e a elevação do Ser Humano.

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