A perturbação de jogo, com ou sem dinheiro envolvido, está a tornar-se um desafio emergente de saúde pública em Portugal, afetando particularmente os jovens.
O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD, I.P.) alertou recentemente para um crescimento exponencial nos pedidos de ajuda relacionados com a perturbação de jogo. Segundo dados revelados pela instituição, o número de utentes acompanhados na rede pública mais do que duplicou num curto espaço de tempo: de 358 pessoas em 2023 para 782 em 2025.
Este aumento expressivo é atribuído não só à mudança nos padrões de comportamento de jogo, mas também a um maior reconhecimento do problema pela sociedade e à necessidade urgente de alargar a cobertura de respostas especializadas.
Os Riscos do Jogo Online e a Vulnerabilidade Juvenil
O impacto do jogo a dinheiro e dos videojogos tem-se tornado cada vez mais visível na saúde mental da população. Especialistas apontam que a perda de controlo sobre os hábitos de jogo pode ocorrer mesmo sem o envolvimento de dinheiro. A vulnerabilidade e o risco aumentam significativamente face a dois fatores principais:
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Exposição precoce e contínua a contextos de jogo.
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Publicidade agressiva, especialmente em ambientes digitais e online.
Reforço da Intervenção Pública
Perante este cenário, o ICAD, I.P. está a implementar medidas para reforçar a rede de cuidados do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Entre as principais ações em curso destacam-se:
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A criação dos primeiros serviços públicos especializados exclusivamente no tratamento da perturbação de jogo.
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O reforço da rede de respostas especializadas e foco no acompanhamento clínico.
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Investimento em investigação e conhecimento científico para sustentar as decisões.
Prevenção como Responsabilidade Coletiva
A estratégia do ICAD passa também por uma ação concertada que envolve restrições à publicidade ao jogo (incluindo no digital) e o investimento em literacia junto de pais e escolas. “Investir na literacia é investir na saúde e no bem-estar dos jovens”, reforça o instituto, sublinhando que a promoção da saúde mental é uma responsabilidade coletiva que exige prevenção, regulação e acesso facilitado a cuidados de saúde.


