Iniciativa foca-se na proteção da biodiversidade durante o período de migração reprodutiva, transformando um “ponto negro” de atropelamentos num corredor seguro para a vida selvagem.
A Avenida do Rio (N207-2), na freguesia de Torno (Lousada), voltou a ser o palco de uma missão de conservação ambiental da região. Com a chegada das chuvas de março, iniciou-se a migração anual de anfíbios, um fenómeno que leva sapos e salamandras a atravessar vias rodoviárias em busca de locais de reprodução — uma viagem que, sem intervenção, termina frequentemente sob as rodas dos veículos.
Uma Aliança pela Biodiversidade
A ação, promovida pelo Município de Lousada, contou este ano com o reforço estratégico do Comando Territorial do Porto da GNR, através do SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente) de Felgueiras e do Posto Territorial de Lousada.
A colaboração entre as autoridades e os técnicos municipais permitiu não só a monitorização biológica junto ao Rio Sousa, mas também o controlo do tráfego e a sensibilização dos condutores que circulam naquela via.
Por que razão esta iniciativa é vital?
Os anfíbios são considerados sentinelas do ecossistema. Segundo dados do projeto Lousada Guarda-Rios e das iniciativas de conservação do município, estas espécies enfrentam ameaças severas devido à fragmentação de habitats.
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Controlo de Pragas: Sapos e salamandras são predadores naturais de insetos e lesmas, sendo essenciais para o equilíbrio agrícola e florestal.
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Bioindicadores: A sua presença (ou ausência) indica a qualidade da água e a saúde geral do ambiente local.
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Risco de Extinção Local: Em noites de chuva intensa, a taxa de mortalidade em estradas sem prevençaõ pode dizimar populações inteiras numa única temporada.
Lousada como Referência Ambiental
O Município de Lousada tem-se destacado a nível nacional pelas suas políticas de sustentabilidade, nomeadamente através do Plano Municipal de Conservação da Natureza e Educação Ambiental. A iniciativa “S.O.S Sapos na Estrada” é um exemplo prático de como a gestão autárquica pode integrar a fauna selvagem no planeamento urbano e rodoviário.
“Trabalhamos para proteger o equilíbrio dos nossos ecossistemas,” afirmou o Comando Territorial do Porto da GNR, reforçando que a proteção da fauna é uma competência partilhada entre instituições e cidadãos.

