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Já todos, quase todos, votaram na primeira volta e a segunda, custará menos. Assim talvez se compreenda melhor a decisão do primeiro-ministro de não dizer ou de não divulgar o que vai fazer na segunda volta mas, isso é lá com ele…

Dos últimos resultados, feitas quase todas as análises, é possível verificar que a direita populista se impõe, que começa a ser útil analisar o que acontece com a democracia, um processo que não é exclusivo do nosso país. Longe disso!

O mundo está às avessas, a nossa sociedade também está esquisita, reveladora de um vazio de ideias, de uma diabolização de princípios que começam a afastar-se do que foi, do que deveria ser fundamental depois da revolução de Abril. Normaliza-se o que defende o partido de Ventura e, numa sociedade que já deveria estar informada e preparada, discute-se a escolha entre a democracia e princípios democráticos de um lado, contra o autoritarismo, o populismo, a xenofobia de outro… Parece não ser muito fácil escolher, isto é, começa a sentir-se que, no voto, os eleitores também são estranhos e esquecem que o caminho nem sempre é ir e voltar… A ver vamos!

Hoje, três dias após a primeira volta eleitoral, há gente “importante” que faz questão de divulgar o seu voto na segunda volta mas há outros, silenciosos, que revelam alguma ou muita hesitação e isso pode ser esclarecedor.

Agora, há dois projectos diferentes, duas visões antagónicas e, talvez assim, seja mais fácil decidir… Mesmo que nem todos divulguem a sua decisão! A minha posição pessoal já foi tomada há muito, continuo a assumir a minha posição! Seguro, mesmo não tendo ouvido de Montenegro um sinal de apoio, já fala de temas que interessam ao país, a Saúde, a Educação, a Habitação, … e outros assuntos muito importantes.

O país ainda olha para os resultados da primeira volta mas o tempo passa depressa e já estamos quase a chegar ao dia da escolha definitiva… No rescaldo das eleições do passado dia 18, os comentadores, sociólogos, políticos e antropólogos começam a definir situações que poderão ajudar a escolher ou a perceber fenómenos do tempo actual. Assim, parece, há a Norte, melhores instrumentos para enfrentar períodos de dificuldades e isso pode afastar o voto de protesto… Por outro lado, há posições opostas que explicam o sucesso do Partido de extrema-direita, no Sul…

Noutros tempos, nos anos oitenta, as dificuldades e os valores eram outros…

Mesmo assim, hoje, quatro décadas volvidas, com outros protagonistas, as diferenças políticas são outras. Perante o que está a acontecer, face aos candidatos escolhidos para a segunda volta, torna-se fácil constatar que os eleitores são hoje mais difíceis e esquecem com facilidade o que antes se viveu. Alguns, muitos ainda, parecem querer rasgar as páginas da Constituição, parecem querer fragilizar a democracia, parecem querer romper com a paz social, com tudo ou quase tudo o que, até hoje, já conseguimos concretizar!

Desta minha constatação, que não é só minha, tenho a certeza, é fácil depreender que as pessoas são mesmo difíceis, difíceis de entender, às vezes. Percebem-se as muitas dificuldades que enfrentam e, mesmo assim, escolham o que é, para elas, o pior… Não sei bem se é a coragem, se é a vontade da diferença, se é o gosto de contrariar ou querer agir de forma oposta. O que me parece, às vezes, é sentir que as pessoas, muitas pessoas, sentem ou fingem negar o perigo fascista e escolhem correr riscos. O fascismo é, sobretudo, uma versão violenta do capitalismo e de tudo o que isso pode trazer… O capitalismo continua a meter medo… Espero que todos recordem isso, mesmo que, os jovens, hoje, pareçam alheados desse risco! Estejamos atentos!

 

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