endoencas

As margens dos rios Tâmega e Douro preparam-se para ser, uma vez mais, o palco de uma das mais impressionantes manifestações de fé e cultura popular da região. As Endoenças de Entre-os-Rios, celebração que remonta ao século XVII, prometem transformar a paisagem ribeirinha num mar de luz na noite de 2 de abril.

O Ritual da Luz e o “Sermão do Encontro”

O programa religioso tem início às 20h00, com a Missa da Ceia do Senhor no Centro Interparoquial de Evangelização (CIEV). Contudo, é às 21h30 que o momento mais icónico toma forma: a Procissão do Senhor dos Passos.

Acompanhada pelos tradicionais “Barcos de Fogo” que cruzam as águas, a procissão segue em direção à Capela de S. Sebastião. É ali que ocorre o “Sermão do Encontro”, o auge dramático e espiritual que marca o encontro simbólico entre Jesus Cristo e Nossa Senhora das Dores.

Na Sexta-Feira Santa, o ritual completa-se com a Procissão do Enterro do Senhor, às 15h00, realizando o percurso inverso até à Igreja Paroquial de Santa Clara do Torrão, já no concelho vizinho de Marco de Canaveses.

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Um Legado de Três Séculos

Para o Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Pedro Cepeda, a importância do evento transcende a vertente religiosa. “Estamos perante uma tradição com um valor histórico e cultural inestimável, que atravessa gerações e reforça a identidade do nosso concelho. Mantém-se viva graças à fé e ao forte envolvimento da nossa comunidade, sendo hoje um legado que honra o passado, mas que também projeta Penafiel como um território de referência na valorização do património, da cultura e da fé”, referiu o autarca.

Património Imaterial Nacional

As Endoenças não são apenas um evento local; desde 2015 que integram o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. A celebração une territórios que outrora formavam o antigo Couto de Entre-os-Rios, envolvendo o Lugar de Entre-os-Rios, em Penafiel, a freguesia de Alpendorada, Várzea e Torrão, no Marco de Canaveses e o Lugar de Boure, em Castelo de Paiva.

A designação “Endoenças” tem origem na tradição litúrgica católica, estando inicialmente associada à Sexta-Feira Santa enquanto dia de indulgência. Com o passar do tempo, o termo passou a identificar a Quinta-Feira Santa, mantendo-se até hoje ligado a esta celebração profundamente enraizada na cultura local.

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