O Governo português anunciou uma reforma estrutural no sistema de proteção civil e auxílio a sinistros. O novo modelo de resposta a catástrofes introduz a obrigatoriedade de um seguro de habitação para todos os proprietários, uma medida que visa garantir maior rapidez e previsibilidade no apoio às populações após crises severas, como sismos ou fenómenos meteorológicos extremos.
A par do seguro obrigatório, será criado o Fundo de Catástrofes Naturais e Sísmicas. Este fundo funcionará como um pilar financeiro para suportar as operações de reconstrução e auxílio, reformando o atual regime de cobertura de riscos no país.
Os Pilares da Mudança
A transição para este novo modelo assenta em três eixos principais:
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Seguro Obrigatório: Generalização da cobertura de danos próprios em habitações.
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Fundo Público-Privado: Criação de um fundo robusto para eventos de grande escala.
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Agilidade na Resposta: Redução dos tempos de espera burocráticos no acesso a indemnizações e apoios estatais.
O Fator Custo: Reticências e Solidariedade
A obrigatoriedade do seguro surge num contexto de forte contenção financeira para as famílias portuguesas, gerando já algumas reticências quanto ao impacto desta nova despesa anual no orçamento doméstico.
Consciente deste desafio, o Executivo garantiu que o sistema incluirá um mecanismo de solidariedade para garantir o acesso universal. O objetivo é que as famílias com menos recursos não fiquem desprotegidas por incapacidade financeira, assegurando que o Estado continuará a apoiar diretamente os estratos mais vulneráveis através de subsídios ou isenções.
“O objetivo é claro: garantir que, quando há uma catástrofe, a resposta chega mais rápido e com maior previsibilidade”, afirma a nota oficial da iniciativa Portugal Mais Preparado.
Porquê agora?
Até aqui, a resposta a grandes catástrofes dependia, em larga escala, de dotações orçamentais extraordinárias do Estado, o que resultava frequentemente em processos lentos e incertos para os cidadãos afetados. Com este novo modelo, o Governo pretende tornar o sistema mais justo e sustentável, transferindo parte do risco para o setor segurador e garantindo que os fundos de apoio estejam disponíveis de imediato após a ocorrência do sinistro.


