A Humanidade surge e evoluiu quando se convenceu o Ser Humano a abdicar dos seus instintos básicos para trabalhar coletivamente, em prol de um conjunto chamado Comunidade e nesse ponto o Ser Humano, deixa de respeitar os seus instintos básicos e naturais em prol das necessidades da Sua Comunidade. Foi assim que enquanto espécie nos superiorizamos às restantes, trocando a satisfação dos instintos básicos por acesso a comida, segurança, ordem e por último ao prolongar no tempo a nossa existência física.
Neste processo o Ser Humano passa a aplicar o tempo dedicado à satisfação das suas vontades básicas, em tarefas cujo benefício era coletivo e não individual: semear, colher, armazenar e distribuir. A evolução deste processo conduz ao desenvolvimento de estruturas sociais que permitiram conquistas coletivas com resultados individuais, por exemplo, providenciar alimentos, providenciar segurança, etc… mas de facto, há uma contrapartida individual: o tempo dedicado a ser uma peça apenas dessa organização social.
Na sua vida o Homem tem horários que cumpre na escola, na fábrica ou na secretária, se física e temporalmente tem uma existência mais longa, vive sobrepondo as necessidades da Sociedade às suas Individuais. O resultado óbvio é que durante o dia espera ansiosamente pelo final da tarde, durante a semana espera ansiosamente pelo fim de semana, durante o ano espera ansiosamente pelas semanas de férias junto ao mar e isto acontece porque no fundo são os momentos em que realmente satisfaz as suas necessidades individuais.
Assim e aceitando que este raciocínio está correto, levantam-se certas questões: como conseguimos que indivíduos se comportassem coletivamente desta forma? O que convence o Ser Humano a ser apenas um elemento de uma sociedade coletiva?
O Homem é um estado evolutivo do Ser Humano, pois tem consciência da sua existência coletiva, conseguiu de forma consciente construir e transmitir histórias, relatou o passado, escreveu e prometeu ideias de futuro e o Homem conseguiu prometer às gerações seguintes a possibilidade de melhoria continua e até a vida eterna, mas apenas se resistissem aos seus instintos e necessidades básicas.
A ação coletiva produz o suficiente para suprir as necessidades básicas, educa o suficiente para compreender um conjunto de regras da Natureza e implementa regras sociais que foram criadas para sustentar a Sociedade e assim a comunicação entre diferentes gerações criou a Humanidade.
A Humanidade assenta em valores e regras sociais estruturadas que evoluem no tempo, a sua existência implica impor crenças aos Seres Humanos que a compõem e cada um deles individualmente acreditar que carrega em si a missão da continuidade da espécie transmitindo esses valores e regras às gerações seguintes.
No entanto o Ser Humano continua com os seus instintos básicos vivos dentro de si, porque advêm da Natureza, então a questão que se levanta é: conseguirá o Homem manter sempre esta noção de coletivo acima da sua existência individual? Deixo a questão para vossa reflexão.


