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Esta é uma das épocas do ano de que menos gosto. Tanta hipocrisia! Tanto disfarce! Tanta tentativa para provar o que realmente nem se é ou o que se deseja ser num sinal de paz no presente e no futuro…

Naturalmente, como a quase totalidade dos mortais, vou andando por aí e, o que vejo, não corresponde mesmo ao que se desejaria que seja o Natal…

Tanto espalhafato, tanto folclore, tantas, tantas luzes distantes das que, singelamente representariam o Natal…

Estas e outras estão por aí, em cantos e esquinas, em lugares que são pobres e que, neste tempo, ousam mostrar o que realmente não são… Quem disse que era assim ou deverá ser assim o Natal? Fala-se cada vez mais das pessoas que não conseguem comprar comida até ao final do mês… Critica-se a carga fiscal excessiva e, de novo, marcam-se as pessoas que não conseguem sobreviver sem ajuda até ao fim de cada mês… Entretanto, parece, as lojas estão mais giras, cheias de laços e luzes porque é preciso despachar o produto! Os bens essenciais não são exactamente os que se compram porque, neste tempo, sem que eu saiba exactamente porquê, deturpa-se o verdadeiro sentido de altruismo e, quem se movimenta no sentido do Natal, não pode falar assim, com ligeireza…

Já não sei se o que está em destaque são mesmo os pobres e a pobreza mas, o que me parece estar a ser a celebração do Natal, não tem mesmo nada a ver com isso. Não minto ao dizer que, para mim, hoje, o Natal é um tempo de grande tristeza. Naturalmente, pelo facto de me terem deixado os que mais representavam para mim, mas também, sobretudo, porque o que vejo hoje fingir ser o Natal é uma grande fantochada de luzes… e de enfeites inúteis e de disfarces… e de palavras… e de gestos… que nada têm a ver com o que deveria ser o Natal! A definição de Natal…

E então as prendas e os netos e as festas e as rabanadas, nada disso conta? Claro que sim porque eles, os cinco, já pensam quase o mesmo que eu porque já todos sentiram que o Natal, hoje, não é quase nada do que deveria ser a definição do Natal…

Por mais que leia e investigue, não encontro uma boa justificação para a insistência dos motivos luminosos e afins que pretendem celebrar o Natal…Bom Natal! Boas Festas! O que é isso? A quem se desejam realmente essas festas felizes? Aos pobres, aos doentes, aos massacrados pela fome e pela guerra, aos que não conseguem dizer mais que a verdade que dói quando é realmente utilizada… Deixem o Natal em paz! Nada do que se faz ou mostra hoje tem a ver com o que aprendi ser o Natal! O amor sincero, a solidariedade, a crença no presépio onde estava o Menino que parecia ser, que então era, diferente, para todos nós! Hoje, isso tudo apagou-se, misturou-se com uma parafernália de elementos exuberantes, luminosos, estranhos, tão estranhos, que nada podem ter a ver com o Natal! Ganha a praça ou a rua que consegue ter o enfeite mais alto, mais complicado, mais exuberante, mais fora do espírito simples e delicado do Natal…

Quando saio à rua, à noite, e percorro o espaço comum que agora está iluminado, fico com vontade de sair desse caminho que não é o que eu procuro para viver serenamente o Natal. Porque o Natal, hoje, não é quase nada do que se está a fazer… Deixem o Natal em paz!…

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