LinhaValedoSousa final

O futuro da Linha do Vale do Sousa — um dos projetos ferroviários mais aguardados para a mobilidade da Área Metropolitana do Porto e do Tâmega e Sousa — já tem datas concretas, mas a decisão final de investimento ainda terá de atravessar um longo processo burocrático e técnico. Em audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, o ministro Miguel Pinto Luz anunciou que o estudo de viabilidade técnica e ambiental será apresentado aos municípios já em maio, enquanto a análise custo-benefício decisiva só estará concluída no primeiro trimestre de 2027.

Custos em alta e desafios de engenharia

Embora o estudo preliminar da consultora Trenmo apontasse para um investimento de 181 milhões de euros, o governante alertou que esse valor “não será suficiente”. A revisão em alta justifica-se pela complexidade do terreno nos 35 quilómetros previstos para ligar Valongo, Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e, eventualmente, Amarante.

“O traçado poderá ter 40% em túnel”, sublinhou Miguel Pinto Luz, destacando o impacto direto desta especificidade no orçamento final da infraestrutura.

Além dos desafios geológicos, o Secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, admitiu que o processo foi dificultado por falta de consenso local. Segundo o governante, o corredor preliminar não estava validado e existiam “divergências entre os vários municípios”, o que obrigou a um trabalho de detalhe que ainda decorre.

Potencial de 5 milhões de passageiros

Apesar dos obstáculos, os números da procura são otimistas. Um estudo de tráfego entregue em abril de 2024 estima que a linha possa servir cinco milhões de passageiros por ano. O tempo de percurso previsto entre Felgueiras e o Porto será de aproximadamente uma hora, com a nova via a entroncar na Linha do Douro em Valongo.

Álvaro Costa, presidente da consultora Trenmo e especialista em transportes, reforçou a importância estratégica do projeto: “Se esta linha não for rentável, nenhuma linha nova será rentável em Portugal”, afirmou, classificando-a como a prioridade número um do país fora da rede de Alta Velocidade.

Autarcas em alerta contra o “esquecimento”

A calendarização apresentada pelo Governo — que remete a decisão financeira para 2027 — foi recebida com cautela pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa. Nuno Fonseca, presidente da CIM e autarca de Felgueiras, avisou que não permitirá que a análise custo-benefício sirva de “artifício para encostar a linha a um canto”.

Os municípios mostram-se, contudo, disponíveis para colaborar, com Nuno Fonseca a assegurar que as autarquias podem ser “parte da solução financeira” para viabilizar a construção, garantindo que o projeto recolhe unanimidade política na região.


Os números da Linha do Vale do Sousa:

  • Extensão: 35 km;

  • Procura estimada: 5 milhões de passageiros/ano;

  • Tempo Felgueiras-Porto: ~1 hora;

  • Complexidade: Até 40% do traçado em túnel;

  • Decisão final: 2027 (após análise custo-benefício).

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