O Secretariado local do Partido Socialista reagiu em comunicado às críticas da oposição, classificando a condenação do Supremo Tribunal de Justiça como o desfecho de uma “gestão irresponsável” dos mandatos sociais-democratas anteriores a 2013.
A troca de acusações políticas em Paços de Ferreira subiu de tom. Após o PSD ter classificado como “inaceitável” o silêncio da autarquia perante a condenação ao pagamento de cerca de 10 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos (CGD) — relativa à extinta empresa municipal PFR Invest — o Partido Socialista (PS) emitiu esta quarta-feira um comunicado onde diz “repor a verdade dos factos”.
A “Herança” como linha de defesa
O PS rejeita as conclusões que apontam falhas à gestão socialista entre 2013 e 2017, centrando o foco na herança recebida em outubro de 2013. Segundo o Secretariado socialista, o PSD deixou a Câmara Municipal “falida”, ao ponto de existirem avisos de corte de energia por falta de pagamento.
“A mesma governação que esvaziou os cofres da Câmara foi responsável pela gestão ruinosa da empresa municipal [PFR Invest], criando um passivo que hoje recai sobre todos os pacenses”, lê-se no comunicado.
O partido acusa ainda a anterior gestão de “opacidade” e de investir em terrenos sem valor, cujas dívidas agora sufocam as finanças municipais.
Críticas aos juízes e confiança em Paulo Ferreira
Numa passagem invulgar, o comunicado do PS questiona também a fundamentação judicial do acórdão de 15 de maio de 2025, sugerindo que factos essenciais foram ignorados: “Os senhores juízes não explicam como é que uma câmara falida punha dinheiro numa empresa falida?”.
Apesar do revés judicial, o PS de Paços de Ferreira reitera a “total, absoluta e inabalável confiança” no atual Presidente da Câmara, Paulo Ferreira, sublinhando que o executivo está a negociar com a CGD para mitigar o impacto financeiro no concelho.
Acusações de “Cegueira Seletiva”
Para os socialistas, a indignação agora demonstrada pelo PSD é fruto de “cinismo político”. O PS argumenta que toda a informação financeira foi apresentada e debatida em sede de Assembleia Municipal ao longo dos anos, acusando os vereadores da oposição de negligência ou cumplicidade por não terem agido antes.
Em síntese, o PS estrutura a sua defesa em três eixos:
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Responsabilização histórica: O PSD criou o problema ao gerir mal a PFR Invest e a Câmara.
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Ação presente: O executivo de Paulo Ferreira está a tentar resolver o litígio por via negocial.
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Combate à desinformação: O PS promete ser “intransigente contra a mentira” e não permitir que a história seja reescrita para fins eleitorais.
Com o pagamento de 5,4 milhões de euros (mais juros) em jogo, o futuro financeiro de Paços de Ferreira permanece no centro do debate político, com o PS a prometer novos esclarecimentos assim que o processo negocial com a Caixa Geral de Depósitos estiver concluído.

