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Para além da agressão física: Burlas, perseguição e abusos sexuais crescem nos registos da APAV
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Dados da APAV revelam que, em 2025, a associação apoiou mais de 18.500 pessoas, o equivalente a duas vítimas por hora. A maioria dos crimes ocorre em contexto familiar.

O número de pessoas que recorrem à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou um aumento acentuado de quase 42% nos últimos seis anos. Segundo dados divulgados esta quinta-feira pela instituição, o ano de 2025 fechou com um recorde de 18.549 vítimas apoiadas, consolidando uma tendência de crescimento contínuo desde 2020.

Radiografia do Crime: Violência Doméstica no Centro

A violência doméstica continua a ser o principal motivo de pedido de ajuda, representando 73,9% do total de crimes reportados à associação. No último ano, as denúncias neste contexto cresceram 10% face a 2024. No total, a APAV contabilizou 35.341 crimes e outras formas de violência em 2025.

Além da violência doméstica, o relatório destaca números preocupantes noutras áreas:

  • Abuso sexual de menores: mais de 1.900 casos (entre conteúdo de abuso e atos diretos).

  • Ofensas à integridade física: 889 casos.

  • Outros crimes: ameaças, difamação, discriminação, burlas, perseguição (stalking) e violações de adultos.

Perfis das Vítimas: Mulheres e Crianças são os grupos mais vulneráveis

A análise estatística da APAV permite traçar perfis específicos para os diferentes grupos apoiados:

  • Perfil Geral: A vítima típica é mulher (75,5%), com uma idade média de 37 anos.

  • Mulheres Adultas: Representam o maior grupo assistido (10.327 mulheres em 2025). A violência doméstica (85,8%) é perpetrada maioritariamente por cônjuges ou ex-companheiros.

  • Crianças e Jovens: Mais de metade são do género feminino (58,1%), com uma média de 10 anos. Os agressores são, em regra, os progenitores ou padrastos.

  • Idosos: A APAV apoiou 2.017 pessoas idosas. O perfil aponta para mulheres de 76 anos, vítimas de violência doméstica por parte dos filhos ou cônjuges.

  • Homens Adultos: A média de idade é de 48 anos, sendo a violência doméstica também o crime prevalecente (65,5%).

A Resposta da APAV

Para Carla Ferreira, assessora técnica da direção da APAV, o aumento dos números explica-se não só pelo crescimento real de certas formas de criminalidade, mas também pela maior “abrangência dos serviços” da associação, que permite que mais pessoas encontrem um canal de apoio.

Com uma média de 51 pessoas ajudadas por dia, os dados são lançados no âmbito do Dia Europeu da Vítima de Crime, que se assinala a22 de fevereiro, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes no combate à violência interpessoal em Portugal.

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