A análise, política ou outra, ligada à campanha eleitoral, já está animada. Parecia fraca, quase irrelevante e, hoje, talvez associada aos casos e casinhos que vão surgindo, parece mais dura, mais convincente, talvez. Não sei bem se são só os casos que começam a ser descobertos, associados a um ou outro candidato, o certo é que a determinação, o discurso, ou mesmo a maior dose de convicção dos candidatos, cada um em sua defesa, começam a marcar posição, decididos a marcar a diferença…
Um ou outro mais convincente, um ou outro mais abalado pelos ataques, o certo é que, cada um, começa a marcar a diferença e, nesse sentido, o lugar que, na tabela, quer ocupar… A postura, a fluidez do discurso, a imagem… tudo começa a contar para o resultado final. Alguma coisa já era esperada, algumas surpresas que começam a fazer contrastes. Queiram todos, ou alguns deles, o certo é que já há diferenças, algumas pouco esperadas… Assim, aquele que, tempos atrás, se queria como vencedor, mostra-se hoje descrente, abalado e, talvez pelas críticas e ataques que está a padecer, está longe do que se previa. Por outro lado, surpreendentemente, ou talvez não, Cotrim Figueiredo e António José Seguro, estão, no momento actual, empurrados para a frente, talvez beneficiados por uma campanha inesperada e original do primeiro, ou pela serenidade ou pela esperança na esquerda, no lugar do segundo.Seguro, penso eu, pode estar a ser beneficiado por uma campanha serena, sem ataques, talvez apostada em lugares comuns que não ofendem e que traduzem o desejo de uma paz social futura, mais estável e mais necessária. Essa é, penso eu, uma aposta eficaz para o candidato apoiado pelo PS e um azar para Marques Mendes que, por mais que tente, não se liberta das suspeitas e hoje, desgastado, pela colagem ao Governo. Não basta dizer que nunca foi arguido ou muito menos acusado em qualquer processo. O comum dos cidadãos, onde hoje me incluo, já percebeu que, para além das suspeições, a censura aos advogados de negócios, pagos para facilitar, não se esquece e não vai desaparecer da campanha. Marques Mendes não se liberta das acusações que lhe são dirigidas, por Gouveia e Melo sobretudo e, porque esta suspeita dura, continua, M. Mendes, hoje parece condenado a descer na recta final da campanha eleitoral.
E Cotrim Figueiredo? E Ventura? Parece-me que poucos previam a originalidade, a irreverência, até a imaginação do primeiro candidato citado. Diga-se o que se disser, acredite-se ou não no candidato, é forçoso reconhecer-lhe o mérito. Goste-se ou não, é dele a campanha mais irreverente, mais imaginativa também. Quanto a Ventura, continua a ser o que já sabemos que é. Volta a mostrar o seu poder de persuasão, volta a revelar a sua enorme capacidade de comunicação, de convicção e, em campanha, ele continua a parecer um vencedor… Diz o que quer, o que lhe apetece e isso, queiramos ou não, é uma arma muito forte para influenciar os indecisos. Fico admirada com o número de jovens que dizem querer votar nele!…
Disto tudo, do que ainda não acabou, o que me parece, olhando as variadas sondagens, a pouco mais de uma semana das eleições, a esquerda deixou de ser a derrotada anunciada para ser possível vencedora. Neste caminho, a poucos passos do fim da campanha eleitoral, o hipotético vencedor da direita, parece ter deixado de o ser e, tal como outras vezes aconteceu, a esquerda poderá sair vencedora…

