Nelson Mandela, Prémio Nobel da Paz, disse um dia: “A Educação é a ferramenta mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo.”
Pois, que assim seja! A frase transcrita é, realmente, bonita mas, nem sempre é fácil o acesso à Educação e à Cultura… E as falhas ficam, para a vida…
Acabou de ser divulgado o resultado do concurso de acesso ao Ensino Superior e, de novo, a constatação de que nada foi ou é fácil para os alunos candidatos. De imediato, a constatação de que o acesso foi vedado a mais de 6.000 jovens e, neste momento, levantam-se as hipóteses de saber as razões pelas quais isso aconteceu. Há, sem dúvida, uma tentativa para saber o que realmente se passou e, das primeiras análises já feitas, começa a ser questionada a razão pela qual, o que se desejaria, não se confirmou. Foi expressiva a redução do número de estudantes colocados. Feitas as primeiras análises, logo se concluiu que não são as razões demográficas que explicam essa redução. E então, como chegar às causas ou razões que levaram ao que aconteceu? Tudo apontava, parece-me, para que mais jovens procurassem o Ensino Superior. Mas não, foram menos os alunos que se candidataram e, logicamente, os que, colocados, se podem matricular… Então, porquê?
Durante a pandemia, vigorou um regime de excepção e os exames nacionais deixaram de contar para a nota final do Ensino Secundário… Logo a seguir, cessou esta medida e no presente ano, 2024/25, a grande alteração consistiu em aumentar o número de provas de ingresso que passou de uma para duas ou três em todos os cursos… Aqui, parece-me, começa a tornar-se mais difícil o acesso e isso começa a chocar com as necessidades do país. Não sei bem, talvez isso signifique a menor confiança nas Escolas e nos professores do Ensino Secundário mas, também me parece que não podem ser os exames, como estão a ser exigidos, a melhor solução…
Mesmo sem avançar nesta suposta análise ao processo de acesso ao Ensino Superior, sinto-me com vontade de alertar para a urgência de repensar o nosso processo de acesso. Com os resultados da 1ª fase recentemente publicados, vistos os números reduzidos de estudantes candidatos, o enorme aumento de vagas que sobraram, é forçoso constatar o seguinte: o país em que vivemos, tem de escolher! Quer ou não quer mais alunos no Ensino Superior? Precisa ou não precisa de mais gente com formação superior? Então, quais são as desculpas para que menos alunos entrem e se preparem? O Presidente do Sindicato do Ensino Superior diz o seguinte: “O país tem de escolher! Ou restringe o acesso…ou as instituições têm de colmatar as falhas dos alunos… o país não pode desperdiçar estas pessoas…”
Dito isto, apetece-me acrescentar o seguinte: Há muitos, muitos anos que digo que é preciso mudar o processo do acesso ao Ensino Superior… Fazer dois ou três exames a contar para a nota de acesso é um exagero… Há programas, como o de Português, que, tendo sido este ano obrigatório para todos os cursos, apresenta um esquema e até uma matéria programática que não tem quase nada a ver com os interesses dos alunos e deveria ser alterado. Escolhas múltiplas em Literatura? Talvez essa seja a razão para ter havido mais de 14.000 provas negativas no exame. Isso não conta? Depois, bem, é preciso ver o número significativo de alunos que se candidatam e que vivem a centenas de quilómetros de distância. É preciso ver os custos incomportáveis da vida académica, alojamento a preços escandalosos, o suporte das famílias com níveis de habilitações incapazes de ajudar os mais jovens, que querem estudar… Tudo isso conta muito e, como está, alguma coisa tem mesmo de mudar!