Começo este texto sem saber, exactamente, por onde hei-de ir mas, porque não me parece haver ideias de campanha eleitoral que mereçam ser debatidas, opto por outras questões.
Também é verdade, já decidi como votar e, desculpem insistir, o que vejo e como vejo, não merece muita atenção.
Opto então por um dos problemas mais graves do momento actual, o terrorismo e porque hoje é exactamente o dia 11 de Setembro, passados 16 anos, tenho a certeza que desse enorme ataque terrorista às Torres Gémeas, ficou a sensação horrível de que corremos riscos, muitos, pelo mundo fora. Sobretudo porque todos temos a sensação de que o mundo mudou e a paz ou a liberdade, onde quer que estejamos, estão ameaçadas…
Há dias li num jornal diário, uma história ocorrida em Barcelona, uma das últimas paragens do terrorismo. É a história de vida de um homem, de formação superior, totalmente ligada ao mercado de La Boqueria, junto às Ramblas. Mais marcante que a vida, a sua morte, revolucionou o espírito da cidade e chegaria para um filme.
Ramon, de seu nome, começou a manhã no mercado, como fazia sempre. Deu as habituais opiniões, cumprimentou os amigos, entregou a cada um uma flor e alguns minutos depois das 9 horas, pediu um copo de água. Em pouco tempo caiu e morreu ali mesmo. Tinha misturado veneno na água, pronto para se despedir da vida num lugar que tornou seu.
A morte deste homem, uma trágica declaração de amor a La Boqueria é uma metáfora do muito que representa aquela animada zona de Barcelona. Um palco em que a vida cabe inteira em alguns espaços que preenchem e definem a cidade. No empedrado das Ramblas cruza-se a memória de batalhas, de celebrações de campeonatos do Barça, de artistas que pisaram aquele chão e que continuam a fazer da rua o local de trabalho. Há sempre barulho, ouve-se o tilintar de copos nas esplanadas e paira por ali, sempre, o amor pela liberdade. Gaudi anda também por ali, está sempre presente ou próximo em Barcelona… “Não temos medo”, foi o grito mais recente que passou pela cidade e dele ficou a confirmação do caminho consistente da vida, da luta sem tréguas pela liberdade, pela tolerância, pelo respeito, pela universalidade que é marca visível das Ramblas.
Agimos politicamente com as escolhas que fazemos nas urnas, com as causas que defendemos, com as lutas em que nos envolvemos. Mas há também acção política nas coisas mais pequenas do quotidiano. Bastará observar a forma como os políticos se movimentam na rua ou como nos cruzamos com gente empenhada nos resultados eleitorais…
Para além de todas as coisas fantásticas que nos oferece Barcelona, teremos sempre Paris, Berlim, Istambul, Tunes ou Londres…
E o medo que sentimos, cá ou lá, pode inspirar-nos respeito ou até paralisar-nos. Temos de escolher livremente em quem vamos votar e de qualquer equipa que venha a sair vencedora, teremos de esperar o respeito que merecemos…

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