Paços de Ferreira, Paredes, Valongo e Gondomar unem esforços numa estrutura comum para despoluir o curso de água e transformar o vale num destino de turismo de natureza. Investimento na ETAR da Arreigada é peça-chave do projeto.
A notícia é do Jornal Público, onde anuncia que a recuperação do rio Ferreira entrou numa nova fase com a criação de uma associação intermunicipal que reúne os municípios de Gondomar, Paços de Ferreira, Paredes e Valongo. A iniciativa, liderada pela Câmara Municipal de Valongo, visa coordenar a despoluição, requalificação e valorização de um curso fluvial que, após décadas de degradação devido a efluentes sem tratamento adequado e ligações ilegais, pretende voltar a ser um espaço de lazer e desporto.
O presidente da Câmara de Valongo, Paulo Esteves Ferreira, recorda com nostalgia o tempo em que era possível nadar no rio e sublinha que o objetivo é devolver essa qualidade de vida às populações. A nova entidade, cujo nome definitivo será anunciado durante uma visita do Presidente da República, António José Seguro, ficará sediada em Valongo, aproveitando a estrutura do Parque das Serras do Porto para evitar custos iniciais redundantes.
Financiamento e Estratégia
A associação permitirá aos quatro municípios apresentarem candidaturas conjuntas ao programa Pro-Rios 2030, que disponibiliza cerca de 30 milhões de euros anuais até ao final da década. O modelo de arranque prevê um orçamento base de 80 mil euros (20 mil euros por autarquia) para a preparação de candidaturas e apoio técnico.
As intervenções planeadas dividem-se em várias frentes:
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Engenharia natural: Estabilização de margens e limpeza do leito.
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Fiscalização: Identificação e eliminação de ligações clandestinas de esgotos domésticos e industriais.
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Infraestrutura de lazer: Criação de passadiços, percursos pedonais e, no futuro, uma praia fluvial.
O “obstáculo” da ETAR da Arreigada
O sucesso da despoluição do Ferreira, que percorre 43 quilómetros desde as nascentes em Paços de Ferreira, depende criticamente da resolução dos problemas na ETAR da Arreigada. Esta infraestrutura tem sido, há duas décadas, o principal foco de poluição por falta de capacidade de tratamento.
A empresa Águas de Paços de Ferreira já lançou o concurso público para a remodelação e ampliação desta ETAR, num investimento de cerca de 22 milhões de euros. Com financiamento nacional e europeu assegurado, as obras deverão ter início em 2026, com um prazo de execução estimado em três anos.
O regresso do “Guarda-Rios”
Para garantir que o rio se mantém limpo após a intervenção, Paulo Esteves Ferreira aposta no reforço da vigilância no terreno. O autarca pretende reintroduzir a figura do “guarda-rios”, equipas dedicadas a patrulhar as margens diariamente para detetar descargas ilegais em tempo real. “Quando pomos as pessoas em contacto direto com a natureza, elas passam a ser os nossos melhores fiscais”, defende o presidente.
Esta estratégia integra-se num plano mais amplo de turismo de natureza, que pretende transformar Valongo numa capital do setor, aproveitando as paisagens ribeirinhas, as serras e o património das minas romanas. A associação intermunicipal terá um caráter permanente, focando-se na monitorização contínua e manutenção do rio mesmo após a conclusão dos grandes projetos de engenharia.
