A Juiz Presidente do Tribunal Judicial da Comarca do Porto Este, Helena Tavares, emitiu uma nota oficial na sequência de uma notícia que recentemente publicamos, esclarecendo informações relativamente ao funcionamento e à gestão de magistrados na comarca.
A propósito do veiculado, não se verificará qualquer aumento global de magistrados nem uma alteração estrutural ao mapa judiciário. Conheça, em detalhe, os esclarecimentos e as atualizações sobre a organização dos tribunais da região:
Fim das agregações de Juízos já é oficial
Uma das principais clarificações prende-se com o fim das agregações entre os Juízos Locais Cíveis de Penafiel e Paredes e os Juízos Locais Criminais de Felgueiras e Lousada.
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O modelo anterior: Estas agregações foram implementadas em 2019 com o objetivo exclusivo de redistribuir o volume processual excessivo de Penafiel e Felgueiras para Paredes e Lousada, que registavam menor pendência.
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Juízes independentes: A Comarca sublinha que esta partilha processual “nunca significou que um único juiz assegurasse simultaneamente o serviço de dois tribunais”, mantendo-se sempre as estruturas autónomas e juízes titulares próprios.
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A situação atual: O Conselho Superior da Magistratura (CSM) havia proposto o fim deste modelo para evitar o sobrecarregamento dos juízos que prestavam auxílio, face ao aumento generalizado da pendência processual na região. E foi já publicada a Portaria do Ministério da Justiça que põe fim definitivo a estas duas agregações, validando a proposta do CSM.
Paços de Ferreira com novo juiz permanente
A Comarca esclareceu que o lugar de juiz efetivo do tribunal de Paços de Ferreira já existia no quadro e sempre esteve preenchido.
No entanto, desde outubro de 2024 que o serviço vinha a ser assegurado por regimes de acumulação ou por Juízes do Quadro Complementar, devido à incapacidade temporária da juiz titular. A vaga foi colocada a concurso e será ocupada por um novo juiz titular colocado em permanência.
Gestão de vagas: Bolsa de juízes sem aumento de custos
Relativamente à referência a cinco lugares previstos ao abrigo do artigo 107º do Regulamento da Lei de Organização do Sistema Judiciário (RLOSJ), a Presidência clarifica que estes não representam qualquer reforço recente ou aumento do quadro global de magistrados.
Trata-se, na verdade, de uma redistribuição interna de recursos: para constituir esta espécie de “bolsa de juízes” — que visa garantir uma gestão mais ágil das necessidades da Comarca —, foi necessário abdicar e reduzir as vagas em dois Juízos Centrais e num Juízo Local Criminal.
A Comarca do Porto Este reforça, assim, que a gestão interna visa responder à ausência de uma revisão geral do mapa judiciário (legalmente prevista desde 2019), otimizando os recursos existentes sem que isso signifique uma expansão do número de juízes no ativo na região.

