Projeto “CRJ+” junta a Comunidade Intermunicipal e a APPJuventude para envolver 11 municípios. O objetivo passa por formar técnicos, dinamizar Conselhos Municipais de Juventude e criar uma Comissão Intermunicipal.
A Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CIM do Tâmega e Sousa) e a Associação Portuguesa de Profissionais de Juventude (APPJuventude) assinaram um Protocolo de Cooperação Institucional e Técnica que marca o início do projeto CRJ+ – Conselhos Regionais de Juventude: da Ideia à Prática.
O acordo, subscrito pelo Presidente do Conselho Intermunicipal da CIM, Nuno Fonseca, e pelo Presidente da Direção da APPJuventude, Hilário Matos, lança as bases para um processo territorial que abrangerá os municípios de Amarante, Baião, Castelo de Paiva, Celorico de Basto, Cinfães, Felgueiras, Lousada, Marco de Canaveses, Paços de Ferreira, Penafiel e Resende.
Financiado pelo programa europeu Erasmus+ (âmbito KA154-YOU – Atividades de Participação Juvenil), o projeto visa criar mecanismos regulares e inclusivos de consulta e cocriação, aproximando os jovens dos processos de decisão pública e combatendo a participação meramente simbólica.
Formação técnica e reforço dos órgãos municipais
Um dos pilares centrais da iniciativa é a capacitação dos recursos humanos das autarquias. Está prevista uma formação de especialização de cerca de 80 horas para os técnicos municipais, focada em áreas como políticas públicas de juventude, educação não formal, facilitação, inclusão e avaliação de medidas locais.
Paralelamente, o CRJ+ pretende dinamizar os Conselhos Municipais de Juventude (CMJ) de cada concelho, tornando-os órgãos mais representativos e ativos. Os jovens do território não serão apenas auscultados, mas envolvidos diretamente como cocriadores, facilitadores e avaliadores de propostas direcionadas às suas realidades.
A caminho de uma Comissão Intermunicipal de Juventude
O percurso do projeto inclui a realização de diagnósticos, a Academia CRJ (focada na aprendizagem participativa), as Caravanas CRJ (ações descentralizadas nas escolas e espaços comunitários) e os Laboratórios CRJ (espaços de reflexão conjunta sobre desafios locais).
O principal resultado esperado à escala regional é a conceção de um modelo participado para a futura Comissão Intermunicipal de Juventude do Tâmega e Sousa. Esta estrutura funcionará como um espaço permanente de articulação entre as redes de jovens, os técnicos municipais, a CIM e os decisores políticos.
A organização sublinha ainda que o projeto garantirá a representatividade de jovens em situação de vulnerabilidade ou isolamento geográfico — como residentes em zonas rurais, estudantes do ensino profissional e jovens com constrangimentos económicos —, cumprindo os Erasmus Youth Quality Standards.
Compromisso com o retorno institucional
Para garantir a transparência do processo, o projeto estabelece um compromisso de “devolução”: as autarquias deverão informar os participantes sobre o seguimento dado às suas propostas, justificando as decisões tomadas e quais as recomendações acolhidas.
A médio prazo, pretende-se que as metodologias e estruturas criadas no âmbito do CRJ+ fiquem integradas de forma permanente nas práticas de governação dos 11 municípios do Tâmega e Sousa, servindo também de modelo replicável para outras regiões do país e alinhando-se com a Estratégia da União Europeia para a Juventude 2019–2027.

