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Reclusos sem metade da dentição: Investigação da CESPU analisa Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira

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Saúde oral no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira: Os números do estudo da CESPU

Pessoas 2030

Investigação realizada no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira alerta para o impacto psicológico e físico da falta de cuidados estruturados. Cerca de 68% dos reclusos sofrem de cáries ativas.

Um novo estudo desenvolvido por investigadores do Instituto Universitário de Ciências da Saúde (CESPU) expõe a precariedade da saúde oral no sistema prisional português. A análise, centrada em reclusos do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, revela que a perda dentária e as patologias orais atingem níveis críticos, afetando gravemente a qualidade de vida e o bem-estar psicológico desta população.

Os Números da Crise Oral

A investigação, publicada no prestigiado European Journal of Dentistry, acompanhou 103 reclusos com idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos. Os dados recolhidos entre outubro de 2023 e junho de 2024 traçam um cenário preocupante:

Impacto Além da Dor Física

Os investigadores das unidades UNIPRO, UCIBIO-1H-TOXRUN e i4HB sublinham que o problema transcende a dimensão clínica. A saúde oral deficitária funciona como um entrave à reinserção e ao equilíbrio emocional, gerando estigma e isolamento social dentro e fora do contexto prisional.

“Estes indicadores reforçam a importância de integrar a saúde oral nas políticas de saúde em meio prisional”, defendem os autores do estudo.

Apelo a Medidas Preventivas

Perante a vulnerabilidade detetada, o corpo científico da CESPU defende a implementação urgente de programas estruturados de promoção da saúde oral e medidas preventivas adaptadas à realidade das prisões. O objetivo é evitar complicações sistémicas futuras e reduzir a sobrecarga dos serviços de saúde através de uma intervenção precoce e regular.

Este estudo coloca novamente o foco na necessidade de garantir o direito constitucional à saúde em populações marginalizadas, destacando que a reabilitação de um indivíduo passa, obrigatoriamente, pela preservação da sua dignidade física e funcional.

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