No dia em que os céus de Portugal voltam a ser palco de um eclipse total do Sol, a história da região de Penafiel recorda que o concelho já viveu este mesmo fenómeno no século passado. A 17 de abril de 1912, a cidade registou a fase máxima do fenómeno astronómico, momento devidamente documentado pela imprensa nacional da época.
De acordo com o relato publicado na revista Ilustração Portuguesa (2.ª série, N.º 323, editada pelo jornal O Século), o fenómeno atingiu o seu ponto alto no final da manhã: «Em Penafiel ás 11 horas e 43 minutos o eclipse foi total.»
Observação no Monte Sameiro
As imagens divulgadas na publicação histórica mostram não só o estado do Sol instantes após a fase culminante, mas também a adesão popular. Um numeroso grupo de cidadãos reuniu-se no Monte Sameiro para testemunhar o acontecimento, num registo de curiosidade coletiva idêntico ao que hoje se renova.
A preservação destas memórias visuais deve-se ao trabalho de Vitorino Melo (1861–1932). Natural da freguesia de Abragão e membro da família Mello e Sousa, este pintor e fotógrafo surdo-mudo desempenhou um papel central no registo da sociedade e dos principais eventos de Penafiel no início do século XX.
As suas fotografias foram impressas sob a designação «Clichés de Vitorino Melo» — a terminologia técnica utilizada no início do século passado para identificar a autoria a partir das placas fotográficas de vidro ou metal. O destaque das suas imagens numa revista de âmbito nacional é reflexo do alcance e do reconhecimento do seu trabalho.
Memória viva no Museu Municipal
Mais de um século depois, o fenómeno de 1912 volta a ganhar atualidade. A consulta da edição histórica da Ilustração Portuguesa (pp. 549 e 554) pode ser efetuada no Centro de Documentação do Museu Municipal de Penafiel (MMPNF), mediante marcação prévia. O museu havia já homenageado o artista no passado mês de março, ao assinalar como “Objeto do Mês” um retrato dedicado a Vitorino de Melo.

