Anterior presidente reagiu duramente às críticas de antigos dirigentes sobre os erros na contagem de votos. Meneses apela ao respeito pela decisão dos sócios e descarta a repetição da Assembleia Geral.
O clima à volta do FC Paços de Ferreira continua instável. Paulo Meneses, anterior presidente do clube, quebrou um longo silêncio para responder às críticas de Fernando Sequeira e outros associados que contestam a aprovação da SAD. Em causa está a retificação dos resultados da Assembleia Geral de 24 de abril pela Mesa da Assembleia Geral (MAG), que confirmou a vitória do “Sim”, apesar de erros iniciais na contagem.
“O vosso tempo já passou”
Numa tomada de posição clara, Paulo Meneses defendeu que o erro material detetado pela MAG — que confundiu número de boletins com número de votos na Mesa 4 — não altera a vontade expressa pela maioria. Para o ex-dirigente, a exigência de uma nova votação por parte da oposição carece de “honestidade intelectual”.
“Acaso alguém acredita que se a decisão fosse do ‘não’ essas mesmas pessoas pediriam nova assembleia?”, questionou Meneses, dirigindo-se ao grupo liderado por Fernando Sequeira. O antigo presidente foi mais longe, afirmando que “o clube não é de antigos dirigentes” e que as ameaças de providências cautelares não devem amedrontar a instituição, uma vez que a lei prevê a correção de lapsos sem obrigar à repetição de atos.
Desafio à responsabilidade financeira
Paulo Meneses aproveitou a intervenção para lançar um desafio aos opositores do modelo de SAD proposto pela atual Direção. O ex-presidente lembrou o défice anual de dois milhões de euros que o clube enfrenta, questionando se os críticos estariam dispostos a assumir a gestão com o seu “património pessoal em risco”.
“Quem gosta cuida. Não destrói porque discorda”, rematou, apelando ao fim da exposição do clube na “praça pública”.
A retificação que incendiou o debate
A polémica estalou após a MAG ter vindo a público corrigir os resultados da histórica votação de abril. Fernando Sequeira (Sócio 32 e antigo presidente) classificou o comunicado de retificação como um “atentado à transparência”, alegando que as contas continuam a não bater certo e que um boletim nulo teria “desaparecido” no novo apuramento.
A oposição, que inclui ainda Moreira Lobo e Marcelo Ribeiro, defende que a ata original, aprovada com dados errados, é juridicamente inválida e exige uma nova votação por voto secreto durante um dia inteiro.
Resultados finais após retificação:
Apesar da contestação, a MAG mantém a deliberação como válida, apresentando os seguintes números finais:
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Total de boletins de voto: 544
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Votos a Favor: 1637
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Votos Contra: 1552
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Abstenções: 71
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Votos Nulos: 10
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Votos em Branco: 0
Com as posições extremadas entre duas posições que defendem soluções opostas para o FC Paços de Ferreira, o futuro do modelo de gestão do clube poderá até passar pelo crivo dos tribunais, caso a oposição avance com o anunciado procedimento cautelar.
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