O grupo Indáqua, um dos maiores operadores privados de concessões de água e saneamento em Portugal, está a ser alienado pelo fundo Antin. A operação, avaliada em mil milhões de euros, desperta na região do Tâmega e Sousa a atenção nos municípios de Paços de Ferreira e Marco de Canaveses.
O setor das infraestruturas em Portugal enfrenta uma das suas maiores operações de fusões e aquisições (M&A) deste ano. Segundo avançou o Jornal Económico, o grupo Indáqua — detido pela francesa Antin Infrastructure Partners — está oficialmente à venda, com um valor de mercado (Enterprise Value) estimado em cerca de mil milhões de euros.
A notícia, que coloca a Indáqua no centro das atenções do setor financeiro, tem um impacto direto em vários pontos do território nacional, destacando-se a gestão do ciclo integral da água nos municípios de Paços de Ferreira e Marco de Canaveses.
Cinco interessados na corrida
O processo de venda está em fase de submissão de propostas não vinculativas. De acordo com o Jornal Económico, cinco candidatos confirmaram o seu interesse, destacando-se grandes fundos de investimento e players internacionais do setor das águas:
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KKR (Fundo norte-americano);
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Brookfield (Grupo canadiano);
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Acea SpA (Operador italiano);
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Aqualia (Empresa espanhola com histórico no mercado português);
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Um quinto candidato ainda não identificado.
Implantação nacional e impacto local
A Indáqua não é apenas um player setorial; é uma das empresas com maior capilaridade no Norte de Portugal. A venda da empresa coloca em evidência a gestão de infraestruturas essenciais em nove concelhos estratégicos:
Municípios sob gestão da Indáqua:
Paços de Ferreira
Marco de Canaveses
Santo Tirso / Trofa
Santa Maria da Feira
Matosinhos
Vila do Conde
Oliveira de Azeméis
Barcelos
Continuidade do serviço garantida
Apesar da dimensão financeira do negócio, a transição de propriedade não altera, por norma, os contratos de concessão em vigor. Em municípios como Paços de Ferreira e Marco de Canaveses, a prestação do serviço de abastecimento e saneamento rege-se por contratos plurianuais que definem obrigações rigorosas de investimento, qualidade e tarifários, fiscalizados quer pelas autarquias, quer pela ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos).
O objetivo das autarquias envolvidas passa, agora, por acompanhar de perto o processo de transição, garantindo que o novo acionista — qualquer que seja — mantenha o plano de investimentos necessário para a modernização das redes e o cumprimento das metas ambientais e de eficiência exigidas para as populações destas regiões.
A concretizar-se será mais uma mudança de dono das Águas de Paços de Ferreira (antiga AGS), desde que em 2004 foi vendida pela autarquia à Somague Ambiente, passando posteriormente para a Plainwater.
O fundo Antin, que controla o grupo desde 2020, procura concluir este processo após uma tentativa falhada em 2023. Espera-se que a operação de venda fique fechada ainda durante o corrente ano, marcando uma nova etapa para a Indáqua.
Com informações do Jornal Económico.
