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Humberto Brito pressiona Governo pela Linha do Vale do Sousa: “Não deixaremos que se esqueçam”

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"Mais importante que o estudo (...) há aqui uma decisão política que é preciso tomar", disse Humberto Brito na sua intervenção

A Linha do Vale do Sousa voltou, esta terça-feira, ao debate político na Assembleia da República. Numa audição marcada para as 15h00, o Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, foi chamado a prestar esclarecimentos sobre o ponto de situação de uma obra considerada “estrutural” para a coesão territorial do Tâmega e Sousa.

A audição surgiu na sequência de um requerimento formal apresentado pelo Grupo Parlamentar do PS
. Os socialistas recordam que, em março de 2024, a Infraestruturas de Portugal (IP) já tinha adjudicado os estudos de viabilidade técnica e ambiental. No entanto, o partido acusa o atual Governo de ter, na prática, “ignorado esta linha”

“Não deixaremos que se esqueçam”

Durante a sua intervenção, o deputado Humberto Brito (PS) sublinhou o peso económico da região, que conta com mais de 350 mil habitantes e 30 mil empresas. Brito alertou para o facto de, apesar de faturar mais de 8 mil milhões de euros, a região ter um poder de compra de apenas 53% da média europeia, sendo fustigada por “salários baixos” e pela falta de transportes públicos eficientes.

“O senhor Ministro não me está a responder a mim enquanto deputado, está a responder a toda aquela população que sabe que isto é uma necessidade efetiva e real”, afirmou Brito, insistindo na urgência de passar dos estudos à prática.

Um motor económico sem transporte eficiente

Humberto Brito começou por traçar o retrato demográfico e económico da região, lembrando que estão em causa mais de 350 mil pessoas e um tecido empresarial de enorme relevo.

“Estamos a falar de mais de 30 mil empresas que lá operam em setores estratégicos — como o calçado, o mobiliário, o têxtil e vestuário, a metalomecânica — e de um volume de faturação superior a 8 mil milhões de euros”, destacou o deputado.

Apesar destes números, Brito lamentou o facto de a região não possuir “nenhum serviço eficiente de transporte público”, o que estrangula o potencial de desenvolvimento local.

O paradoxo da pobreza no Vale do Sousa

Um dos pontos centrais da intervenção foi a discrepância entre a produtividade industrial e a qualidade de vida das populações. O deputado sublinhou que o índice de poder de compra na região é de apenas 53% da média da União Europeia.

“Infelizmente, é dos mais baixos em Portugal. Apesar desta atividade económica industrial, os salários são relativamente baixos, são quase sempre salários mínimos, o que não permite uma grande capacidade económica”, afirmou.

Para o parlamentar, este cenário de “subdesenvolvimento crónico” só poderá ser revertido com investimentos públicos que combatam as assimetrias, criticando a concentração de recursos nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto.

Apelo à decisão política

Humberto Brito reconheceu a importância dos estudos de viabilidade económica em curso, mas frisou que a decisão final deve ser, acima de tudo, política.

“Mais importante que o estudo (…) há aqui uma decisão política que é preciso tomar. Era essa que nós hoje queríamos ouvir. O senhor Ministro não me está a responder a mim enquanto deputado, está a responder a toda aquela população que sabe que isto é uma necessidade efetiva e real.”

O deputado terminou a sua intervenção demonstrando abertura para soluções técnicas que tornem o projeto mais viável:

“Se for necessário alterá-lo para tornar o projeto economicamente mais viável — para não custar os mil milhões de euros que o estudo da Infraestruturas de Portugal aponta — se houver outra alternativa, o senhor Ministro também está disponível para estudar esse cenário?”

A Linha do Vale do Sousa, que conta com o apoio da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa e da Área Metropolitana do Porto, permanece como uma das obras mais aguardadas na região norte, com o PS a garantir que manterá a pressão sobre o executivo para que o projeto “não entre na gaveta”.

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