A garantia do direito à habitação esteve em análise na Assembleia da República, com o deputado do Partido Socialista eleito pelo círculo do Porto, Humberto Brito, a alertar para os limites da atual política imobiliária. O parlamentar, natural de Paços de Ferreira, defendeu que o esforço nacional não se deve esgotar na mera expansão do parque habitacional, exigindo medidas concretas para travar a especulação e dinamizar o setor cooperativo.
Numa intervenção que colocou a tónica na capacidade financeira das famílias, o deputado sublinhou de forma clara:
«Não basta construir mais casas: é preciso que as pessoas possam comprá-las ou arrendá-las.»
A reflexão ganhou novo fôlego na sequência de uma audição parlamentar dedicada à cooperativa CASA — um projeto pioneiro de habitação colaborativa e sem fins lucrativos desenvolvido em São Isidro de Pegões (Montijo), focado em custos controlados e na partilha de espaços comunitários.
A este propósito, Humberto Brito reforçou a urgência de uma mudança estrutural na resposta pública à crise do setor:
«É preciso enfrentar a especulação imobiliária e colocar os municípios e as cooperativas no centro das respostas à crise da habitação.»
Para o deputado socialista, envolver de perto o poder local e os projetos de base cooperativa constitui o caminho indispensável para regular o mercado, resgatar a acessibilidade dos preços e assegurar condições dignas de habitação para a população.
