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Gestão de Lixo no Vale do Sousa: Ambisousa envia 89% dos resíduos para aterro e figura entre os piores desempenhos do país

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Ambisousa, empresa intermunicipal responsável pelo tratamento e gestão de resíduos sólidos urbanos na área geográfica do Vale do Sousa, registou uma taxa de deposição de lixo em aterro de 89% em 2025.

Empresa intermunicipal, que opera os aterros de Lousada e Penafiel para servir seis municípios da região, reflete o cenário crítico nacional revelado pelo mais recente relatório da Agência Portuguesa do Ambiente.

A Ambisousa, empresa intermunicipal responsável pelo tratamento e gestão de resíduos sólidos urbanos na área geográfica do Vale do Sousa, registou uma taxa de deposição de lixo em aterro de 89% em 2025. Os dados, divulgados no Relatório Anual de Resíduos Urbanos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), colocam o sistema numa posição crítica e amplamente distante das metas estabelecidas pela União Europeia.

A empresa tem como missão assegurar o tratamento dos resíduos urbanos de seis concelhos que integram a Associação de Municípios do Vale do Sousa — Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel. Para o efeito, explora dois aterros sanitários localizados em Lousada e Penafiel, para onde são encaminhados os resíduos antes do envio das frações valorizáveis para reciclagem através da Sociedade Ponto Verde.

No entanto, quase nove em cada dez toneladas de lixo recolhidas nestes municípios continuam a ter como destino final a deposição direta em aterro. A nível nacional, apenas sistemas como a Resinorte (85%) e a Ecolezíria (87%) apresentam indicadores comparáveis ao da Ambisousa, enquanto a média de Portugal Continental se fixou nos 55% — um valor ainda muito longe do teto máximo de 10% fixado pela UE para 2035.

Panorama nacional: Investimento cresce, mas metas voltam a falhar

A realidade observada no Vale do Sousa insere-se num quadro nacional de estagnação e incumprimento das metas ambientais:

Aterros no limite e pressão da Comissão Europeia

A APA adverte que o recurso excessivo aos aterros sanitários está a acelerar o esgotamento da capacidade instalada das infraestruturas no país. Dos 22 sistemas de gestão de resíduos em Portugal Continental, apenas cinco — Lipor (3%), Valorsul (9%), Resialentejo (29%), Gesamb (44%) e RSTJ (45%) — conseguiram enviar menos de metade dos resíduos produzidos para aterro.

O organismo regulador aponta para a “limitada eficiência dos sistemas de tratamento mecânico e mecânico-biológico” a montante e defende a urgência de transitar para modelos de maior responsabilização, como o sistema PAYT (Pay-as-you-throw), em que os munícipes pagam em função do lixo indiferenciado produzido.

Atualmente, Portugal é alvo de um processo de infração por parte da Comissão Europeia devido ao incumprimento da Diretiva Aterros, que proíbe o depósito de resíduos urbanos sem o devido pré-tratamento e separação da matéria orgânica.

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