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Final inglório não apaga grande exibição de Adão Pinto em Castelo Branco

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Adão Pinto ao volante do seu Opel Astra OPC 2.0

Adão Pinto viveu em Castelo Branco um daqueles fins de semana em que o resultado final está muito longe de traduzir a exibição protagonizada em pista. O piloto de Abragão, Penafiel, esteve sistematicamente entre os mais rápidos da Nacional 2RM durante a penúltima jornada do Campeonato de Portugal de Ralicross, mas uma sucessão de problemas na fase decisiva ditaria um inglório 8.º lugar à geral.

Depois de fechar o sábado no 3.º posto absoluto, fruto de um 4.º lugar na primeira manga e de um 3.º na segunda, Adão Pinto entrou no domingo determinado em continuar a discutir as posições cimeiras. Na terceira manga voltou a ser 3.º da geral, seguindo-se um 4.º lugar na derradeira qualificação, numa corrida particularmente difícil devido ao intenso pó levantado pelas viaturas que seguiam na frente.

A consistência demonstrada ao longo das quatro mangas permitiu ao piloto do Opel Astra OPC 2.0 terminar a fase de qualificação num excelente 3.º lugar absoluto, garantindo a segunda posição na grelha da sua semifinal: “Até aí estávamos a fazer uma prova muito forte. O andamento esteve sempre entre os melhores e conseguimos ser muito consistentes, apesar de as condições de pista, principalmente por causa do pó, terem tornado algumas mangas bastante complicadas. Estávamos onde queríamos estar para atacar a fase decisiva.”

Foi precisamente na semifinal que a sorte começou a abandonar definitivamente Adão Pinto. A caixa de velocidades cedeu durante a corrida, mas o tricampeão nacional recusou desistir e conseguiu levar o Opel Astra OPC até à bandeira de xadrez utilizando apenas a terceira velocidade. Mesmo fortemente condicionado, terminou em 4.º lugar, assegurando o tão desejado acesso à final.

Começava então uma autêntica corrida contra o relógio. A equipa dispunha de apenas 45 minutos para substituir a caixa de velocidades, uma operação extremamente exigente num intervalo tão curto. Mecânicos, elementos da equipa e amigos juntaram esforços e conseguiram aquilo que pouco antes parecia quase impossível: colocar o Opel Astra OPC novamente operacional e Adão Pinto na grelha da corrida decisiva: “Não tenho palavras suficientes para agradecer. Quando partimos a caixa parecia praticamente impossível estarmos na final, porque tínhamos apenas 45 minutos para fazer uma intervenção enorme. Mas ninguém desistiu. Toda a gente meteu mãos ao trabalho, acreditou até ao último segundo e conseguimos colocar o carro na grelha. Foi um momento de enorme orgulho nesta equipa.”

E durante alguns instantes tudo pareceu finalmente sorrir ao piloto de Abragão. Sem nada a perder, Adão Pinto protagonizou um excelente primeiro arranque e, beneficiando também dos duelos entre os adversários, colocou-se rapidamente no 2.º lugar da final.

Contudo, antes de concluída a primeira volta, foi mostrada a bandeira vermelha e todo o trabalho realizado ficou sem efeito, obrigando a uma nova partida.

No segundo arranque, os semáforos apagaram-se e Adão Pinto voltou a lançar o Opel Astra, mas apenas por escassos metros. O carro desligou-se depois de aproximadamente três metros e não chegou sequer a cruzar a linha de meta. Sem completar qualquer volta na final, o piloto acabaria classificado no 8.º lugar da geral: “Custou muito. No primeiro arranque tudo parecia estar finalmente do nosso lado, estávamos em segundo e sentíamos que podíamos fazer uma grande final. Depois veio a bandeira vermelha e, no segundo arranque, acabou tudo praticamente antes de começar. É difícil aceitar um desfecho destes depois do fim de semana que fizemos, mas as corridas também são isto.”

O resultado representa um duro golpe numa altura particularmente sensível da luta pelos títulos, mas Adão Pinto prefere retirar de Castelo Branco a competitividade e, sobretudo, a extraordinária união de todos aqueles que estiveram ao seu lado: “A classificação final não mostra aquilo que fizemos em Castelo Branco. Mostrámos velocidade, raça e capacidade para estar na luta pelos primeiros lugares. Quero agradecer do fundo do coração à minha equipa, aos amigos que nos ajudaram e a todos os que acreditaram que era possível colocar aquele carro na final. O esforço que fizeram por mim vale muito mais do que qualquer resultado. Vamos lutar até ao fim.”

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